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10 maio 2006

Entrevista para o Mestrado

Um candidato necessitava desperadamente entrar no mestrado. A entrevista estava indo bem, mas complicou quando o entrevistador perguntou:

- Mais uma questão. Quanto é quatro vezes oito?

O candidato ficou desesperado pois não sabia o resultado de memória. Ele sempre utilizava uma HP 12C ou o Excel. Nessa situação resolveu arriscar:

- Trinta e quatro.

Depois de sair da sala e deixar o prédio, o candidato pegou sua HP e entrou com 4 vezes 8 e viu sua resposta. Ficou desesperado pois já contava que iria ser reprovado.

Sua surpresa é que foi aprovado. Passado um tempo, já quase no final do seu curso, decidiu satisfazer sua curiosidade perguntando ao professor que o entrevistara:

- Professor, estou curioso. Errei na sua última pergunta e mesmo assim passei na prova. Qual a razão disso?

O professor respondeu:

- Sua resposta é a que chegou mais perto.

Globalização do Brasil


O gráfico acima mostra a evolução do índice de globalização do Brasil. Uma economia mais globalização significa, de certa forma, que as empresas terão uma maior vínculo com o exterior, aumentando a parcela da receita em moeda estrangeira, seus investimentos em outros países, o lançamento de ações em outras bolsas entre outros aspectos que influenciam a contabilidade financeira.

Pode ser notado que esse índice aumentou de forma expressiva nos últimos anos, refletindo a abertura dos nossos mercados.

09 maio 2006

Crony Capitalism

Ainda tentando entender o que ocorreu com a Petrobrás e a Bolívia, li um artigo muito instrutivo colocado, no dia 7 de maio, no blog de Becker e Posner, sendo o primeiro Nobel de Economia, o segundo um sério candidato ao prêmio.

Gary Becker questiona a razão pela qual a América Latina está movendo no sentido contrário aos outros países do mundo. Enquanto China e Índia, que possuem 40% da população do mundo, estão saindo do socialismo e do comunismo, os políticos da América Latina usam uma linguagem anti-capitalista.

Uma possível explicação é que a linguagem não significa necessariamente a adoção de uma política de esquerda. Cita o exemplo de Lula da Silva, que apesar da origem esquerdista e de confronto sindical, é conservador na área fiscal.

Becker acredita que uma possível razão para a oposição ao capitalismo na América Latina é o "crony capitalism". Crony é uma palavra da língua inglesa cuja tradução seria "amigo íntimo de longa data". Utilizarei o termo capitalismo da amizade. Segundo Becker "o capitalismo da amizade é o oposto do capitalismo competitivo, que produz resultados sociais desejáveis. O Capitalismo da amizade é um sistema onde empresas com forte conecções com o governo ganha poder econômico, e não por ser mais competitiva, mas pelo uso do governo para favorecimento e proteção de sua posição. (...) Algum cronysmo é encontrado em todos os países, mas Méxicoe e outros países latinos tem influencia das conexões políticas no seu extremo."

"Em essência, o capitalismo da amizade quase sempre cria monopólios privados que ferem consumidores comparados com o bem-estar na competição (...) Uma característica do Chile desde as reformas do início de 1980´s é o crescimento no capitalismo competitivo em detrimento do capitalismo da amizade".

"Um fator adicional para a recente ressureição da esquerda na América Latina é o acesso desigual na educação e no capital financeiro que tem produzido um grau pouco usual de desigualdade de renda em muitos desses países."

Com respeito a Bolívia e a Venezuela, Becker lembra que "democracia e capitalismo competitivo são menos prováveis de florescer quando óleo e outros recursos naturais trazem consideráveis receitas para os governos, mesmo sem políticas econômicas adequadas. O paradoxo desse efeito negativo no desempenho econômico do crescimento da receita de recursos naturais tem sido notado freqüentemente, e tem sido algumas vezes chamado de Dutch disease".

Becker lembra que o exemplo do Chile, vis-a-vis com Cuba, não tem sido instrutivo: "sucesso do Chile nos últimos vinte e cinco anos e o desastre da economia de Cuba tem influenciado muitos economistas latinos e alguns escritores, mas tem tido menos influencia nos resultados das eleições do que poderia ser esperado".

Efeito Propriedade

Um dos conceitos mais interessantes das Finanças Comportamentais é o efeito propriedade. Os pesquisadores descobriram que as pessoas tendem a valorizar aquilo que possui, em detrimento dos bens de terceiros.

O efeito propriedade pode ser traduzido no provérbio "mais vale um pássaro na mão do que dois voando". A pesquisa crucial foi realizada por Knetsch, em 1989. Esse pesquisador fez um experimento interessante. Perguntou a um grupo de pessoas qual produto gostava mais - chocolate e café. Após obter um resultado equilibrado, com metade das pessoas optando por chocolate e a outra metade por café, distribuiu os dois produtos (café e chocolate), um para cada indíviduo, aleatoriamente. Como o gosto estava dividido e o número de produtos distribuídos corresponde ao número de pessoas, Knetsch esperava que a metade dos indíviduos receberia o produto da sua preferência, mas a outra metade não. Existindo a possibilidade de trocar os produtos recebidos, Knetsch constatou que a grande maioria das pessoas optaram pela manutenção do produto recebido, o que era incoerente.

Essas situações onde o processo decisório dos indivíduos apresentam uma decisão incoerente é típica dos estudos de Finanças Comportamentais. Entretanto, a teoria Neoclássica discorda dos resultados obtidos nessas situações. Os teóricos neoclássicos ressaltam que o processo decisório da forma como é apresentado pelas Finanças Comportamentais difere das situações práticas. Segundo os neoclássicos, as pessoas mudam suas posições com o processo de aprendizado. Assim, caso a experiência fosse repetida mais vezes os indíviduos poderiam melhorar suas decisões, deixando de existir o efeito propriedade.

Em 2003 John List refez o estudo de Knetsch utilizando de uma pesquisa (aqui o vínculo para arquivo, em inglês, em PDF) com fãs de figurinhas e outros itens. List encontrou que as pessoas tomam decisões incoerentes caso sejam consumidores inexperientes. Mas para os consumidores experientes, com grandes oportunidades de troca, as bases de Finanças Comportamentais não são razoáveis para estudar seu comportamento. Nesse caso é mais interessante usar a abordagem da teoria neoclássica.

Ou seja, pessoas com experiência intensa de mercado não possuem a anomalia descrita pelas Finanças Comportamentais.

08 maio 2006

Pesquisa em Contabilidade Financeira

Uma típica pesquisa na área de contabilidade financeira procura estabelecer como usuário irá reagir em determinadas situações. Para isso, os pesquisadores procuram estabelecer variáveis relevantes para seu estudo e determinar qual a reação do usuário.

Uma forma fácil de analisar essa reação é através do comportamento dos preços no mercado de capitais. Considere a seguinte situação para exemplificar: um pesquisador acredita que o anúncio de uma negociação por parte de uma empresa possa afetar a forma como o usuário percebe a empresa, sendo importante para análise. A partir desse ponto, o analista pode buscar na história das empresas situações onde esse fato ocorreu e verificar se o mercado reagiu a essa notícia.

O problema é que nosso mercado de capitais não é suficientemente grande para fazer algumas pesquisas interessantes como, por exemplo, o impacto de anúncio de investimento em P&D, influencia da retirada de um executivo ou alteração do método de avaliação de estoques.

Uma alternativa é buscar através de estudo de caso. A técnica do estudo de caso não permite, no entanto, que se faça inferências mais genéricas sobre um determinado assunto.

Uma saída interessante que a temática de finanças comportamentais está utilizando é através de perguntas relacionadas ao tema que se deseja investigar para pessoas comuns. Apesar de muitas vezes não reproduzir uma situação típica de mercado, os questionários apresentam conclusões interessantes.

Se o objetivo é verificar como se comporta um determinado indivíduo diante um processo decisório outras fontes podem ser utilizadas.

David Romer, um pesquisador da University of California, fez uma pesquisa interessante sobre a maximização das empresas. Esse é um tema de interesse não somente da contabilidade financeira, mas também da economia e de finanças. A base de dados para sua discussão foi a parte mais interessante do seu trabalho: o futebol americano. Romer analisou como os indíviduos se comportam diante de uma situação de risco e visando a maximização de resultados.

Para sua pesquisa, utilizou a decisão de técnicos de futebol americano para mostrar que esses indivíduos tendem a ser conservadores mesmo atuando num ambiente onde a permanência no emprego não é garantido (não é só no futebol brasileiro que isso ocorre). Entre duas estratégias, uma conservadora, mas com pouca chance de vitória, e outra mais "radical", onde a probabilidade é maior, os técnicos preferem a alternativa padrão, mesmo que não seja a melhor.

Confesso que a pesquisa de Romer fica sem sentido para nós que não conhecemos/entendemos o futebol americano. Mas para quem quer dar uma olhada, veja também os comentários do sítio
Statiscal Modeling, Causal Inference, and Social Science e no sítio Marginal Revolution (4 de Maio)

05 maio 2006

Para Divertir - Dois Analistas de Balanços

Primeiro Analista: Como é sua esposa?
Segundo Analista: Comparado a quem?

Petrobras e Bolívia - 02


Após a tempestade é possível analisar mais friamente o impacto das medidas do governo da Bolívia sobre a Petrobás. Os jornais deixam claro que basicamente a única empresa atingida foi a Petrobrás. A atitude do governo brasileiro tem sido muito criticada, por não defender os interesses da empresa da qual é acionista.

Já o mercado tomou os problemas como um "soluço" para a Petrobrás. O gráfico a seguir mostra o desempenho dos ADRs da Petrobrás na Bolsa de Nova Iorque. Ocorreu uma pequena queda no preço das ações e já existe uma perpectiva de crescimento. Apesar do Morales.