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06 abril 2025

Grandes nomes da história da contabilidade dos EUA: Moonitz

Maurice Moonitz (1914-2009) começou os estudos como músico. Mas a crise de 1929 e a mudança para Califórnia levou a trabalhar como contador de banco. Conseguiu o bacharelado (1933), o mestrado (1936) e o doutorado (1941) pela Universidade da Califórnia em Berkeley, onde tornou-se professor associado efetivo (1947) e trabalhou até a aposentadoria (1978).

Além de pesquisador, tinha uma experiência prática resultante do trabalho, por oito anos, como contador e auditor. Atuou por três anos no Accounting Principles Board, responsável pelas normas contábeis dos EUA na década de 1960.

Sua obra mais reconhecida, The Entity Theory of Consolidated Statements (1944), apresentou uma abordagem conceitual para as demonstrações consolidadas, defendendo o tratamento de grupos de empresas interligadas como uma única entidade econômica e contábil. Essa perspectiva exige que todos os ativos e passivos, inclusive o ágio, reflitam 100% de seus valores de transação, e não apenas o percentual correspondente ao controle majoritário.


Outra contribuição importante foi o livro-texto em dois volumes Accounting: An Analysis of Its Problems, com Charles Staehling, que incluía um exemplo completo em que todos os elementos das demonstrações financeiras, inclusive o lucro líquido, eram mensurados a valor presente.

Em 1960, Moonitz foi nomeado o primeiro diretor de pesquisa contábil do AICPA. Suas publicações The Basic Postulates of Accounting (1961) e, com Robert T. Sprouse, A Tentative Set of Broad Accounting Principles for Business Enterprises (1962), foram os números 1 e 3 da série de Estudos de Pesquisa Contábil do AICPA. O primeiro estudo atendeu à demanda por uma investigação sobre os postulados fundamentais da contabilidade. No entanto, como a abordagem normativa levava à contabilidade a valor corrente, foi rejeitada pelo establishment contábil. Em 1962, o Accounting Principles Board declarou que os estudos, embora valiosos, diferiam demais dos princípios geralmente aceitos para serem adotados naquele momento. 

Moonitz também contribuiu para a contabilidade inflacionária, refinando e esclarecendo a abordagem de nível geral de preços, hoje amplamente aceita pelos estudiosos. Produziu ainda análises sobre o processo de definição de normas contábeis nos Estados Unidos. Todas as suas obras se destacaram pelo alto nível de rigor acadêmico e influenciaram profundamente o campo da contabilidade por meio de outros estudiosos.

Baseado no verbete escrito por George Staubus para The History of Accounting. 

Grandes nomes da história da contabilidade dos EUA: Devine


Carl Devine (1911-1998) é, na opinião de Arrington, o intelectual mais formidável da história do pensamento contábil. Sua principal obra, escrita ao longo de quatro décadas, Essays in Accounting Theory, aborda ideias que vão da matemática à poesia, dentro do contexto da contabilidade. Essa obra rendeu, em 1985, o prêmio de Contribuição Excepcional à Literatura Contábil, concedido pelo American Institute of Certified Public Accountants e pela American Accounting Association. A última edição do livro apareceu um ano após seu falecimento. 

Formado em matemática e ciências físicas, com MBA (1938) e doutorado em administração de empresas pela Universidade de Michigan (1940) teve como mentores William Andrew Paton e A.P. Ushenko, lógico da filosofia. Passou por diversas universidades como professor ao longo da sua vida profissional. 

Seu pensamento tem por característica uma fidelidade ao pragmatismo, sem nunca adotar posturas rígidas ou inequívocas. Esse tipo de flexibilidade intelectual pragmática nunca foi popular no pensamento contábil.  

Para Devine, a preferência por alternativas contábeis depende do contexto e da história, algo que ele ilustra em várias questões específicas da contabilidade prática, como avaliação de estoques, depreciação e mensuração do resultado. Nesse sentido, Devine adota uma atitude sobre a fragilidade de fundamentar a validade do conhecimento em um único paradigma ou metodologia. Ele valorizou um positivismo modestamente credível, mantendo com vigor o interesse dos pragmatistas por uma ciência da experiência. 

Devine confere tanta importância às questões morais quanto às epistemológicas. O conhecimento sobre o humano deve ser guiado por uma obsessão com as consequências do saber para a busca humana por uma vida boa e justa. Uma ciência indiferente - ou mesmo antagonista - a questões de valores, ética e virtudes, por mais que se interpretem esses termos, é uma ciência muito parcial, senão falsa. 

Do verbete de C. Edward Arrington, The History of Accounting. Imagem do livro Essays, nona edição, 

Grandes nomes da história da contabilidade dos EUA: Demski

Joel S. Demski (1940) é reconhecido por ser um dos principais expoentes da perspectiva da "economia da informação". Ele foi pioneiro na aplicação de técnicas dedutivas formais à teoria contábil, utilizando modelos matemáticos rigorosos, definições precisas e provas formais para investigar uma ampla gama de temas. Entre os tópicos que estudou estão o processamento de informações em mercados financeiros, o valor da informação em contextos competitivos, estruturas hierárquicas de incentivos, teoria da mensuração de custos, o conceito de income e o processo de elaboração de normas contábeis. Seu livro Information Analysis (1980) oferece uma introdução acessível à sua abordagem.


Demski via os sistemas contábeis como construções sociais e adotava uma postura de cientista social, interessado em explicar, e não necessariamente defender, as escolhas entre diferentes métodos contábeis. Para ele, essas escolhas refletem decisões sobre estruturas de informação que, por sua vez, só são valiosas se resultarem em melhores decisões. Assim, ele via a contabilidade como parte integrante de contextos decisórios mais amplos e utilizava a teoria da utilidade esperada para analisar escolhas contábeis e para estudar as decisões que essas escolhas visam melhorar.

Uma da suas principais ideias foi sobre a definição de critérios para boas práticas contábeis. Demski argumentava que listas de atributos como relevância, tempestividade e objetividade não conseguiam capturar, de fato, as preferências dos usuários da informação. Ele introduziu o conceito de fineness (finesse), uma medida da quantidade de informação contida em um sistema contábil. Mas mesmo esse critério é incompleto, pois diferentes sistemas podem transmitir informações distintas, impossibilitando a ordenação simples entre eles. Assim, não é possível definir a qualidade de um sistema contábil sem considerar os problemas de decisão específicos enfrentados pelos usuários da informação.

Em seus modelos, diferentes tomadores de decisão interagem com informações limitadas e objetivos divergentes, o que gera problemas de incentivos. A contabilidade, nesse contexto, pode ajudar a mitigar esses problemas ao fornecer informações estruturadas que alinhem melhor os interesses das partes envolvidas.

(Adaptado do verbete de Rick Antle para The History of Accounting). Veja também o verbete da Wikipedia, foto aqui

05 abril 2025

Grandes nomes da história da contabilidade dos EUA: Canning

John Bennett Canning (1884–1962) foi professor de economia e chefe da Divisão de Contabilidade da Universidade de Stanford. É autor do livro The Economics of Accountancy (1929), uma obra pioneira que procurou reinterpretar os conceitos contábeis a partir da teoria econômica. Seu objetivo era tornar a contabilidade mais compreensível para os economistas, mas acabou contribuindo de forma decisiva para o avanço conceitual da própria contabilidade.

Canning analisou com rigor os conceitos de ativos, passivos, capital e income, criticando a ausência de definições claras nos textos contábeis da época. Argumentou que a prática contábil era excessivamente legalista e carecia de uma teoria do valor. Propôs, então, que a avaliação de ativos fosse baseada nos fluxos de caixa futuros esperados, e que os aumentos de valor fossem reconhecidos como renda, desde que estimativas confiáveis pudessem ser feitas.

Para ele, o income era realizada quando três condições fossem cumpridas: alta probabilidade de recebimento em até um ano, valor conhecido ou estimável, e custos associados conhecidos ou estimáveis. Suas ideias de mensuração econômica e reconhecimento contábil estavam muito à frente de seu tempo e ainda são consideradas modernas e influentes.

Os conceitos modernos que usamos em documentos da Estrutura Conceitual tem sua origem na obra de Canning. 

(Fonte: verbete de Michael Chatfield, The history of accounting) (Não consegui obter uma fotografia do Canning na internet) 

Grandes nomes da contabilidade dos EUA: William Beaver


William Beaver (1940-2024) é um dos principais nomes da pesquisa contábil ligada aos mercados de capitais, tendo contribuído de forma contínua e significativa desde os anos 1960. Formado pela Universidade de Notre Dame e doutor pela Universidade de Chicago, esteve inserido em um ambiente acadêmico de destaque ao lado de nomes como Fama, Jensen e Scholes. Seu trabalho inicial, que investigou a capacidade de índices financeiros preverem falências, deu origem a uma ampla literatura sobre distress financeiro. Posteriormente, suas pesquisas sobre o impacto dos anúncios de resultados no comportamento das ações consolidaram a escola de pensamento que conecta contabilidade e mercados de capitais.

Beaver utilizou a teoria da eficiência de mercado como base para muitos de seus estudos e sempre procurou aplicar suas conclusões à prática contábil. Defendeu que a simples existência da divulgação de informações é mais relevante para o mercado do que sua forma ou posição nos demonstrativos contábeis. Participou de comitês da SEC e do FASB, influenciando debates importantes, como o sobre contabilidade para variações de preços nos anos 1980.

Foi também um dos principais articuladores da reforma na formação doutoral em contabilidade, introduzindo métodos analíticos e empíricos rigorosos e maior integração com áreas como economia e finanças. Lecionou durante anos na Universidade de Stanford. Recebeu diversos prêmios da AAA e do AICPA, além de ter presidido a American Accounting Association em 1988.

Faleceu em 2024. 

Beaver revolucionou a maneira como percebemos a pesquisa na contabilidade. 

(Fonte: verbete escrito por George Foster para The History of Accounting) (Foto: aqui)

Grandes nomes da história da contabilidade dos EUA: Arthur Andersen


Arthur E. Andersen (1885-1947) foi um dos nomes mais influentes da história da contabilidade nos Estados Unidos. De origem humilde, começou como assistente por 25 dólares semanais e se formou à noite na Universidade Northwestern, onde posteriormente tornou-se professor. Diante da falta de material didático, escreveu seu próprio livro, *Complete Accounting Course*, que serviu como base para o ensino contábil em várias instituições.

Em 1913, abandonou a academia para fundar sua própria firma de contabilidade no Meio-Oeste americano. Com uma postura visionária e inconformada, Andersen desafiou as práticas tradicionais da época. Insistia em contratar graduados universitários em tempo integral — o que era visto como radical — e buscava formar profissionais que soubessem pensar além dos números. Introduziu o conceito de especialização por setor e desenvolveu o primeiro programa de treinamento unificado da profissão, reunindo funcionários de diferentes localidades para formação em Chicago.

Para Andersen, a contabilidade deveria priorizar o bom senso e a realidade econômica dos negócios, em vez de apenas seguir normas e tradições. Ele acreditava que uma boa contabilidade ajudava não só no cumprimento da legislação, mas também na gestão eficiente das empresas.

Embora inicialmente combatido pelo establishment contábil, suas ideias tornaram-se, após sua morte em 1947, a base dos princípios de auditoria e das normas contábeis modernas. Sua firma, que começou pequena, cresceu e se tornou uma potência global, com centenas de escritórios em dezenas de países. A empresa quebrou em razão do escândalo da Enron, no final do século XX. 

(Baseado no verbete de John Ruane, The History of Accounting). Foto: wikipedia

FIFRS versus FAF

Na sexta-feira, postei sobre as demonstrações contábeis da Fundação IFRS. Agora, fiz um breve comparativo entre as duas principais entidades reguladoras da contabilidade internacional. A Fundação IFRS é responsável pela elaboração de normas adotadas em mais de uma centena de países, enquanto a FAF comanda a produção de normas contábeis no maior mercado de capitais do mundo.

As 86 páginas do relatório da Fundação IFRS estão repletas de texto — com uma diagramação questionável do ponto de vista da legibilidade, incluindo diversas páginas de difícil leitura — além de conterem muitas, muitas fotografias. Por outro lado, o relatório contábil da FAF, com apenas 21 páginas, não apresenta fotografias. A entidade internacional é auditada pela Grant Thornton, enquanto a FAF é auditada pela BDO.

A tabela abaixo apresenta um comparativo entre os números das duas fundações, convertidos para US$ milhões (taxa de câmbio de 1 libra = 1,25 dólar):

Dado o crescimento substancial da Fundação IFRS, parece que a entidade está se aproximando do porte da FAF.

04 abril 2025

Sucupira e a punição para os pesquisadores brasileiros

A Plataforma Sucupira, mantida pela CAPES, é o sistema responsável por coletar informações dos programas de pós-graduação no Brasil. Seu objetivo deveria ser ajudar na avaliação e acompanhamento dessas instituições.

A plataforma impõe uma carga significativa aos programas. O volume de dados exigido é imenso — há campos que comportam até 40 mil caracteres, e muitos desses espaços acabam se tornando uma âncora para quem os preenche, pois a extensão máxima acaba sendo interpretada como um padrão a ser atingido. Ao final, o relatório produzido é um compilado enorme de textos, indicadores e outras informações.

Adicione uma pitada a mais: o software é muito ruim. Coisas estranhas acontecem ao longo do preenchimento. No último quadriênio, foi solicitado destacar a produção mais relevante. Mas a produção de 2024 não estava disponível e somente semanas depois do encaminhamento é que a coordenação podia informar isso.  E tome regras e normas.

Mas será possível que um avaliador, dentro de prazos limitados, leia e analise de forma cuidadosa tudo isso? A resposta mais honesta e evidente é não. E, então, qual o sentido de tudo isso? Durante meses, inúmeras pessoas — docentes, coordenadores, técnicos — são desviadas de suas funções principais para se dedicar ao preenchimento de relatórios. Quantas horas de pesquisa científica, orientação e produção de conhecimento estão sendo sacrificadas para alimentar um sistema que, ao fim, corre o risco de não ser lido em sua totalidade?

Esse modelo, mais do que um instrumento de avaliação, se configura como um entrave à atividade científica, burocratizando excessivamente processos que deveriam ser orientados por confiança, qualidade e incentivo à excelência.

Algo precisa ser revisto aqui. 

Fundação IFRS: maior e com boa saúde financeira

A Fundação IFRS divulgou suas demonstrações contábeis anuais. O relato mostra uma entidade do terceiro setor que está cada vez maior, mas que ainda preserva uma boa saúde financeira. Como já havia ocorrido no ano passado, o documento piorou em termos de layout, com letras reduzidas, muitas vezes sobrepostas a fundos coloridos ou a fotos. Péssimo para quem deseja ler o texto, ao contrário das versões de 2020 e 2021, por exemplo.

Mas eis alguns números interessantes:

Desde a criação do ISSB, a Fundação mais que dobrou de tamanho em número de funcionários. Se há um aumento no escopo do trabalho da entidade, mais funcionários podem ser uma má notícia para a contabilidade: mais produção de documentos, alguns sem tanta relevância. Ao final de 2024, eram 369 funcionários, bem mais que os 156 de 2020. A decisão de repartir o ISSB por seis cidades do mundo — todas no primeiro mundo — também contribui para essa expansão. 

As receitas também cresceram. Antes, estavam na casa dos 30 milhões de libras; agora, estão próximas dos 70 milhões. O tema da sustentabilidade parece ter um atrativo substancial para os doadores. Uma consequência indireta é que o peso da contribuição das grandes empresas de auditoria (Big Four) diminui, o que é positivo.

Deixei para o final as doações realizadas pelo Brasil. Basicamente, os doadores são o Itaú, a Petrobras, o Ibracon e a B3. Mas, em 2024, houve uma redução significativa do dinheiro brasileiro — e a explicação é o Itaú. Desta vez, a instituição financeira não fez o cheque para a entidade. No passado, o ex-diretor Broedel fazia parte da burocracia da Fundação. Com sua saída do Itaú, pouco amistosa, nem mesmo a Fundação foi poupada. 

Mas fica a pergunta: por que a B3, o CFC ou outra grande empresa nacional não contribuem com a entidade do terceiro setor? Falta de credibilidade? Amarras burocráticas? Efeito carona? 




Rir é o melhor remédio


Impostos e Trump

Dependência Emocional do Chat


Uma pesquisa inovadora conduzida pela OpenAI em parceria com o MIT Media Lab trouxe à tona insights sobre como o uso de chatbots de inteligência artificial, como o ChatGPT, pode influenciar o bem-estar emocional e social dos usuários. O estudo, que combina análises de interações reais e experimentos controlados, destaca tanto os benefícios quanto os desafios associados ao uso de IA em contextos afetivos.

(...) Os pesquisadores enfatizam que, embora os chatbots não sejam projetados para substituir relações humanas, seu estilo conversacional e capacidades em expansão podem levar os usuários a utilizá-los dessa forma. Isso levanta questões importantes sobre como equilibrar inovação tecnológica com o bem-estar dos usuários.

Fonte: aqui

03 abril 2025

Rir é o melhor remédio

Mais uma foto
 

Qual o futuro do PCAOB?

Diante de tantas mudanças na organização pública dos Estados Unidos, há uma discussão sobre o impacto nas entidades que regulam a contabilidade naquele país. 


Agora, os contadores preveem que o Conselho de Supervisão Contábil da Empresa Pública (PCAOB) poderia ser o próximo [a sofrer uma intervenção].

A nomeação de Paul Atkins por Trump para substituir o ex-presidente da SEC Gary Gensler foi visto por muitos como um sinal de desregulamentação no horizonte, com mais estimativas de que Atkins irá remodelar a composição de liderança do PCAOB se confirmado para a SEC. Outros cenários possíveis incluem a consolidação do PCAOB na SEC.

Lara Long, diretora-gerente da empresa de consultoria de negócios Riveron, disse que os jogadores nos mercados de capitais veem o controle republicano da Casa Branca e do Congresso como um forte sinal de que as ações regulatórias “serão revertidas ou diminuirão significativamente”.

“Até agora, ninguém tem 100% de certeza do futuro do PCAOB, incluindo se a agência será dobrada na SEC”, disse Long. “Muitos insiders sentem que o que quer que aconteça com o PCAOB não eliminará a necessidade de os mercados financeiros terem um regulador de auditoria.”

Fonte: aqui

O texto passa a ideia de que o PCAOB não teria muito apoio público em razão de uma política muito agressiva de aplicação de multa. A favor, o orçamento não é proveniente dos impostos arrecadados do contribuinte. 

Mais um capítulo das Americanas

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou nesta segunda-feira (31) 13 ex-executivos do Grupo Americanas, acusados conjuntamente por fraudes e desvios que se aproximam dos R$ 25 bilhões e levaram a companhia a pedir recuperação judicial. O caso tramita na Justiça Federal do Rio de Janeiro. 

A denúncia aponta a existência de uma organização criminosa, que seria comandada pelo antigo CEO Miguel Gutierrez, apontado como cabeça de um esquema de manobras contábeis responsáveis por inflar artificialmente os lucros da empresa e manipular os preços das ações da companhia.

Os outros denunciados são Anna Saicali, ex-CEO da B2W, responsável pela área digital do grupo, e dois vice-presidentes, Timotheo Barros e Marcio Cruz. Foram acusados ainda os seguintes ex-diretores e executivos:  Carlos Padilha, João Guerra, Murilo Corrêa, Maria Christina Nascimento, Fabien Picavet, Raoni Fabiano, Luiz Augusto Saraiva Henriques, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira.

Pela denúncia, Gutierrez, que foi funcionário da Americanas por 30 anos e comandou o grupo por duas décadas, foi responsável por planejar e executar as fraudes, exercendo sua ascendência hierárquica sobre os demais. 

A peça de acusação aponta que por meio da manipulação dos balanços, o grupo foi capaz de inflar artificialmente o valor da ações do Grupo Americanas, das Lojas Americanas e da B2W na bolsa de valores. O objetivo seria lucrar com a negociação dos ativos, causando prejuízo a terceiros, como credores e demais acionistas. 

Segundo investigação conduzida pela Polícia Federal (PF), há provas de que o esquema funcionou pelo menos desde fevereiro de 2016, perdurando até dezembro de 2022, quando Gutierrez deixou o comando da companhia. 

Antes de o caso ser revelado, o executivo foi para a Espanha, país do qual também possui cidadania. Lá, ele chegou a ser preso, mas foi solto após prestar depoimento e concordar em entregar seu passaporte, entre outras medidas cautelares. 

Provas 

O MPF apresentou provas como e-mails e mensagens trocadas entre os denunciados e documentos que comprovariam as diferenças entre a contabilidade real e a maquiada, que seriam de conhecimento de Gutierrez e outros envolvidos, segundo a acusação. 

Em conversas por meio de WhatsApp, por exemplo, executivos discutem como impedir que as fraudes fossem identificadas por auditorias. Além disso, três dos envolvidos fecharam acordo de colaboração premiada em que detalham o esquema. 

A maquiagem contábil estaria relacionada, por exemplo, ao lançamento como faturamento de operações de crédito para o pagamento de fornecedores. 


O rombo contábil no Grupo Americanas veio à tona em 11 de janeiro de 2023, pouco depois da troca de comando e quando a companhia informou ao mercado ter identificado “inconsistências nos lançamentos contábeis”. 

O escândalo levou Sergio Rial, CEO que substituiu Gutierrez no comando da companhia, a deixar o cargo menos de dez dias após ter assumido. Numa corrida para se livrar dos papéis das Americanas, os ativos da empresa se desvalorizaram mais de R$ 70 bilhões.

Poucos dias depois, a companhia entrou com pedido de recuperação judicial. O plano para manter a empresa aberta e em funcionamento foi homologado em fevereiro do ano passado, após planos anteriores terem sido rejeitados em assembleias de acionistas e credores.

Pelo plano homologado, o Grupo Americanas reconheceu dívidas que superam os R$ 50 bilhões, envolvendo mais de 9 mil credores. Os bancos Bradesco, BTG Pactual, Itaú e Santander têm direito a 35% desse valor, que inclui ainda uma dívida trabalhista superior a R$ 89 milhões.

Para recuperar a empresa e impedir sua falência, o documento prevê a injeção de R$ 12 bilhões em recursos próprios pelos três acionistas de referência da empresa – os investidores Jorge Paulo Lehman, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles. Os maiores bancos credores também se comprometeram a colocar mais R$ 12 bilhões em dinheiro novo nas Americanas.

Da Agência Brasil

IA está ajudando a encontrar novos usos para remédios

Isso é do NY Times:


Há pouco mais de um ano, Joseph Coates foi informado de que havia apenas uma coisa a decidir. Ele queria morrer em casa ou no hospital? 

Coates, então com 37 anos e morando em Renton, Washington, mal estava consciente. Durante meses, ele estava lutando contra uma doença sanguínea rara chamada síndrome POEMS, que o deixou com as mãos e os pés dormentes, um coração aumentado e insuficiência de rins. A cada poucos dias, os médicos precisavam drenar litros de fluido de seu abdômen. Ele ficou muito doente para receber um transplante de células-tronco – um dos únicos tratamentos que poderiam tê-lo colocado em remissão.

“Eu desisti”, disse ele. “Eu só pensei que o fim era inevitável.”

Mas a namorada de Coates, Tara Theobald, não estava pronta para desistir. Então ela enviou um e-mail implorando ajuda a um médico na Filadélfia chamado David Fajgenbaum, que o casal conheceu um ano antes em uma cúpula de doenças raras.

Na manhã seguinte, Dr. Fajgenbaum respondeu, sugerindo uma combinação não convencional de quimioterapia, imunoterapia e esteróides anteriormente não testados como tratamento para o distúrbio de Coates.

Dentro de uma semana, Coates estava respondendo ao tratamento. Em quatro meses, ele estava saudável o suficiente para um transplante de células-tronco. Hoje ele está em remissão.

O regime de drogas que salvou vidas não foi pensado pelo médico, ou qualquer pessoa. Ele tinha sido cuspido por um modelo de inteligência artificial.

Isso é do NYTimes. Mas segundo Alex Tabarrok isso reduz os incentivos privados para novas descobertas.

Alternativas ao X

Eis um trecho final

Bluesky y Mastodón han demostrado que descentralizar las aplicaciones de redes sociales es posible. Posible, pero con un coste. Reducirlo es crítico para su viabilidad. A pesar de su crecimiento en su popularidad, su número de usuarios aún palidece en comparación con el de Twitter y otras aplicaciones. Encontrar un modelo de negocio es una cuestión aún pendiente. Estas aplicaciones demuestran que hay una demanda de alternativas y que desarrollar arquitecturas viables es un proceso de ensayo y error. A que estas alternativas se consoliden pueden ayudar iniciativas como “Free our Feeds”, que busca conseguir 30 millones de dólares para desarrollar aplicaciones de redes sociales que “no puedan ser capturadas por billonarios” y que ha sido apoyada por Jimmy Wales, el fundador de Wikipedia, entre otros.  

02 abril 2025

Burocracia no setor público atrapalha os desfavorecidos

De certa forma esperado

Em um artigo publicado na American Economic Review, os autores Mark Shepard e Myles Wagner descobriram que até mesmo pequenos obstáculos burocráticos podem representar grandes barreiras para grupos em situação de desvantagem.


“Grande parte do sistema de saúde americano é extremamente complicado, e isso inclui o processo de se inscrever em um seguro de saúde”, disse Wagner à AEA em uma entrevista. “A motivação para este artigo foi entender o quão sério é o problema da burocracia na hora de impedir que pessoas obtenham o seguro para o qual são completamente elegíveis.”

Os pesquisadores encontraram um cenário ideal para estudar esse problema em um programa de seguro de saúde de Massachusetts anterior ao ACA (Affordable Care Act), chamado Commonwealth Care. Antes de 2010, o programa inscrevia automaticamente candidatos de baixa renda que tinham sido aprovados para cobertura, mas que ainda não haviam escolhido ativamente um plano de saúde. Após 2010, a política de inscrição automática foi suspensa; os candidatos passaram a ter que preencher e devolver um formulário enviado por correio.

Essa mudança aparentemente trivial teve consequências drásticas: a adesão caiu 33%. Um terço dos elegíveis para receber seguro de saúde gratuito não completou a papelada necessária para se inscrever.

“O efeito é realmente grande”, observou Wagner. “Outros estudos que tentaram incentivar a adesão ao seguro de saúde enviando lembretes ou informações adicionais pelo correio obtiveram efeitos muito menores, em uma ordem de grandeza inferior.”

Os pesquisadores analisaram quem eram os “inscritos passivos” e descobriram que eles eram, de forma desproporcional, mais jovens, mais saudáveis e do sexo masculino. Também tendiam a vir de bairros desfavorecidos e comunidades próximas a hospitais de assistência pública que oferecem cuidados de caridade.

Clube do Livro: Ronald H Coase

Há três anos, nasceu uma parceria entre três professores da UnB com um propósito simples e inspirador: ler, apresentar e discutir juntos uma grande obra. Assim surgiu o Clube do Livro, que agora inicia seu terceiro ano de atividades.


Na primeira edição, exploramos a análise histórica de Jacob Soll. No segundo ano, nos debruçamos sobre trechos do livro de Teoria de William Scott. Agora, mergulharemos em um clássico que dialoga com a economia e o direito: A Firma, o Mercado e o Direito, de Ronald Coase — uma coletânea com os principais artigos de um dos pensadores mais influentes do século XX, publicada no Brasil pelas editoras Gen e Forense.

A partir de hoje, nosso pequeno grupo de professores e alunos dará início aos encontros de 2025. Se você tem interesse no tema, é bem-vindo para participar! Basta clicar [aqui] para acessar o Microsoft Teams a partir das 17h30.

No encontro de hoje, será apresentado o primeiro capítulo do livro. O evento tem duração de apenas uma hora, e não é necessário ter lido o texto previamente. 

Momento delicado para as Big Four e Consultorias nos governos da AUKUS

Da newsletter do Financial Review de 2 de abril: 


No orçamento federal da semana passada, o governo trabalhista australiano prometeu cortar mais 720 milhões de dólares em gastos com consultorias e prestadores de serviço em 2028-29, elevando a redução total desde a última eleição para 4,7 bilhões de dólares.

Nos EUA, grandes firmas de consultoria ofereceram reduzir contratos governamentais, limitar aumentos de preços e adotar taxas baseadas em desempenho, após terem sido alvo do governo de Donald Trump, segundo o Financial Times.

Empresas como Deloitte e Accenture já perderam contratos públicos, e espera-se que outras sejam excluídas nos próximos meses.

Somando-se aos planos do governo britânico de cortar 5,8 bilhões de dólares em gastos com consultorias, há um consenso no âmbito do AUKUS [Austrália, Reino Unido e Estados Unidos] de que essas firmas vêm drenando seus principais clientes há anos.

Essa visão é compartilhada pela ex-consultora da Bain e agora estilista Kiane von Mueffling, que afirma sentir-se como se estivesse “doando sangue” toda vez que ia trabalhar na consultoria. Hoje, ela criou a camiseta branca perfeita.

Os ventos contrários que atingem o setor levaram a EY a iniciar uma ampla reestruturação de seus negócios. Três “áreas” globais serão dissolvidas, e 18 divisões regionais serão fundidas em 10.

A divisão de serviços financeiros também perderá sua relativa autonomia e passará a se reportar a uma parceria regional. Como de costume, cortes de empregos são prováveis.

Seguradoras tiveram o quinto ano consecutivo com perdas acima de 100 bi


Desastres impulsionados pelas mudanças climáticas estão elevando os pagamentos feitos por seguradoras: no ano passado, foi o quinto ano consecutivo com perdas superiores a US$100 bilhões. Isso significa prêmios mais altos para os segurados — ou a ausência total de seguro. Trata-se de uma “crise crescente enfrentada pela indústria”, escreve o climatologista Scott St. George, que trabalha com modelagem de riscos em uma corretora de seguros global. Programas patrocinados pela indústria que pagam para que as pessoas protejam suas casas contra intempéries estão ajudando, mas “ainda tratam o sintoma, não a causa”, argumenta St. George. “Adaptação sem mitigação não é suficiente. No fim das contas, precisamos atingir a neutralidade de carbono.”
 

Leia mais aqui. Foto aqui

Gênero e pesquisa científica


A desigualdade de gênero nas publicações científicas está diminuindo — mas lentamente. Com a ajuda de um software de inteligência artificial que previu o gênero dos autores com base em seus nomes e localização — uma medida imperfeita, é verdade — pesquisadores analisaram o gênero de cerca de 1,5 milhão de autores de estudos. Segundo o modelo, a diferença é mais acentuada nas ciências físicas: mulheres representaram mais da metade dos autores de estudos em medicina reprodutiva em 2024, por exemplo, mas apenas 15% em física clássica. A localização também exerce influência: no Canadá, nos Estados Unidos e na França, mais de um terço dos autores eram mulheres. No Japão, esse número cai para 16%. Outras pesquisas mostraram que a desigualdade de gênero nas publicações quase desaparece quando se consideram fatores como pausas na carreira para ter filhos e a distribuição desigual de tarefas administrativas acadêmicas.

Um texto mais detalhado pode ser encontrado aqui

01 abril 2025

Quando o Prestígio Vale Mais que a Ética

O artigo "Plagiarist USC celebrity doctor: What's he been up to lately?" começa sugerindo que poderia ser uma brincadeira de primeiro de abril. No entanto, o leitor logo percebe que há referências sérias, indicando que, infelizmente, não se trata de uma piada. David Agus, oncologista da Universidade do Sul da Califórnia (USC), está envolvido em um escândalo de plágio. Desde 2023, sabe-se que ele publicou um livro contendo trechos retirados de um blog de safári sul-africano.


O mais surpreendente é que a USC não tomou nenhuma medida para punir o pesquisador. Apesar das acusações, a mídia continua a dar destaque a Agus. A revista de ex-alunos de Princeton mencionou o pesquisador em setembro de 2024. Um mês depois, foi a vez da prestigiada Time Magazine citar seu nome ao abordar a necessidade de investimentos em tecnologias médicas.

Tudo indica que as violações éticas cometidas por Agus não foram tratadas com a seriedade devida, nem pela universidade, nem pela imprensa.

Primeiro de Abril - 3

 Já que estamos falando no dia da mentira, o site da Forbes aponta as principais mentiras no currículo de um candidato. Eis a lista:

1. Experiência profissional inflada: Cargos e responsabilidades exageradas (ou até inventados) estão no topo da lista das inconsistências mais detectadas;
2. Habilidades técnicas superestimadas: Muitos profissionais alegam domínio em ferramentas e conhecimentos que, na prática, não possuem;
3. Falsa proficiência em idiomas: Declarar fluência sem comprovação pode ser facilmente desmascarado em testes ou entrevistas;
4. Histórico educacional adulterado: Diplomas inexistentes ou cursos não concluídos são rapidamente identificados em checagens acadêmicas;
5. Motivos nebulosos para desligamentos: Na tentativa de evitar questionamentos, profissionais escondem a verdadeira razão de uma saída, o que pode gerar desconfiança e ser um alerta para recrutadores.

Primeiro de Abril - 2


Da Exame:

No Brasil, o primeiro registro de uma mentira no dia 1º de abril apareceu em um jornal mineiro, em 1828, com a notícia de que o então rei Dom Pedro I havia morrido.

Lembro de ler que em 1964 os militares anteciparam a tomada do poder para 31 de março com medo da ação cair em descrédito se acontecesse no dia 1o. de abril. Obviamente que quando se deseja brincar com o fato, fala-se na data do dia da mentira. 

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Primeiro de Abril

Uma empresa de segurança, a Malwarebytes (sim, ela existe mesmo) informou que não irá mais fazer brincadeiras no dia primeiro de abril. A empresa afirmou em um comunicado que há muita concorrência na internet, com fake news, golpes de anúncios, entre outras mentiras.


A empresa lembrou que mesmo brincadeiras bem intencionadas podem ser levadas a sério. Uma cadeia de hambúrgueres enviou confirmações falsas de pedidos nesse dia e muitos clientes acharam que suas contas tinham sido hackeadas.  

Eis algumas brincadeiras famosas listadas no verbete da Wikipedia em língua portuguesa: 

  • O canal de televisão BBC no programa Panorama apresentou em 1957 uma reportagem falsa sobre árvores de espaguete. Muitas pessoas interessaram-se em plantar árvores de espaguete em suas propriedades.
  • A atriz Fernanda Montenegro e Mariana Fonseca apareceu na capa do Jornal Cruzeiro do Sul exibindo sua conquista: Uma estatueta do Oscar por melhor atriz.
  • O site de relacionamentos Orkut altera temporariamente a sua logomarca para Yogurt, um jogo de letras com o nome original.
  • O jornal britânico The Independent, publicou que Portugal vendeu o futebolista Cristiano Ronaldo a Espanha por 160 milhões de Euros.

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