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19 março 2026

Equipe e experiência: Ensinamentos de Hollywood


Uma pesquisa usou Hollywood para estudar sucesso e fracasso, através da análise de dados das equipes que participaram dos filmes. A descoberta foi que equipes com membros com histórico de sucesso tendem a produzir filmes lucrativos e equipes com um currículo ruim, produzem filmes menos rentáveis. Fracasso atrai fracasso. 

Uma característica é que equipes de produção são dispensadas após o encerramento das filmagens. Assim, essas equipes não aprendem com o fracasso.  Eis um resumo importante: 

  • Impacto do Sucesso: Cada milhão de dólares adicional de sucesso acumulado no histórico de uma equipe aumenta os lucros do próximo filme em cerca de $126.000. 
  • Impacto do Fracasso: Cada milhão de dólares adicional de fracasso acumulado levou a aproximadamente $448.000 a menos nos lucros.  

Outro ponto importante é que o histórico dos atores e dos diretores não tiveram efeito significativo.  

Muthulingam, S., & Rajaram, K. (2026). The Role of Success and Failure in Fluid Teams: Evidence from the Motion Picture Industry. Management Science. 

Banco Mundial pune PwC na África

O Banco Mundial suspendeu três empresas da rede PwC na África por fraude e conluio. As empresas envolvidas são do Quênia, Ruanda e Maurício, e a punição consiste em um banimento de 21 meses de projetos financiados pelo Banco.


O caso envolveu um projeto energético entre Etiópia e Quênia. As empresas obtiveram informações confidenciais sobre a licitação e as utilizaram para influenciar o resultado. Além disso, deturparam informações sobre especialistas.

As empresas admitiram culpa e firmaram um acordo com o Banco Mundial, comprometendo-se a implementar medidas corretivas. Por isso, a punição foi limitada a 21 meses. Outras instituições devem aplicar sanções semelhantes, como o BID.

 

Internet dos robôs

O gráfico traz muita informação importante sobre a internet dos dias atuais. Em 2018, cerca de 2/3 do tráfego da internet era de humanos e o restante de robôs maliciosos e robôs do bem. A proporão do tráfego oriundo dos seres humanos caiu para 49% em 2024, com crescimento absurdo dos robôs maliciosos. 

Isso tem problema na estatística dos dados e trazem outros distorções mais graves, como o roubo de informações. E como os bots estão mais sofisticados, permitindo reproduzir o comportamento humano, os sistemas tradicionais de segurança não estão conseguindo impedir o avanço. 

18 março 2026

Atenção e Envelopamento


Um artigo da Forbes trata da crescente convergência entre diferentes formatos de mídia nas plataformas digitais. As empresas estão tentando concentrar múltiplos tipos de conteúdo em um único ambiente. Por exemplo, a Spotify está incluindo podcast com vídeo para o usuário. 

Isso é chamado de “envelopamento de plataforma”, onde é usado a análise avançada de dados para compreender os usuários e personalizar conteúdos. A grande conquista é atrair a atenção dos consumidores. 

A estratégia é mais um passo na disputa entre as plataformas pela atenção dos consumidores na televisão — no fim do ano passado, a Netflix ultrapassou o YouTube como plataforma de streaming que mais retém tempo de tela dos usuários, segundo a eMarketer.

Entre os podcasts realocados estão alguns relacionados a esportes, como NFL, F1 e NBA, além de cultura pop e culinária. A vantagem competitiva da Netflix em relação ao YouTube está no fato de que a plataforma não vai veicular anúncios no meio da programação, mesmo para usuários do plano básico. Essa decisão ganha ainda mais força após a notícia de que, agora, o YouTube vai transmitir anúncios de 30 segundos que não poderão ser pulados.

 

Personalizar o empurrão (nudge)


Os nudges comportamentais (ou “empurrões” comportamentais) muito seguem uma lógica de tamanho único. A pesquisa normalmente procura identificar a forma mais impactante de incentivar um determinado comportamento — economizar mais, praticar mais exercícios, vacinar-se — com foco no que poderia funcionar para todos.

Uma pesquisa publicada na revista Organizational Behavior and Human Decision Processes sugere que personalizar os nudges com base no comportamento passado pode ser uma abordagem ainda mais eficaz. Os pesquisadores também encontram evidências de que a riqueza do nudgepor exemplo, um vídeo de dois minutos em vez de uma mensagem de texto breve — pode fazer diferença.

Leia mais aqui 
 
Será possível imaginar o dia em que uma informação contábil será personalizada? Bom, de certa forma isso ocorre, quando o usuário é forte o suficiente para impor sua vontage. O Banco Central faz isso para as instituições financeiras. Mas ele é tão forte e pode ameaçar a entidade com sanções.  

Banksy, identidade e valor de mercado

Recentemente, a Reuters informou que conseguiu identificar quem seria o verdadeiro Banksy. Para quem não conhece o blog, somos fãs das obras desse artista, que pinta murais com temas políticos e sociais em diferentes cidades do mundo.


Até então, ninguém sabia quem era Banksy, embora seu estilo já tivesse se tornado amplamente reconhecido. Segundo a Reuters, o artista seria Robin Gunningham, que utilizaria um pseudônimo bastante comum na língua inglesa em seus documentos. No entanto, Robin ainda não confirmou a informação.

O mais interessante dessa história recente é a reação dos fãs à revelação. Muitos argumentam que o valor das obras pode cair significativamente, já que grande parte do apelo do artista estaria no mistério de sua identidade. Temos aqui uma primeira lição: o valor de uma obra não depende apenas de sua qualidade artística — outros fatores também influenciam o resultado. Louco isso, não?

Um segundo ponto curioso é que o artista produz seus grafites em muros urbanos justamente para evitar a comercialização. Ainda assim, os fãs demonstram preocupação com o valor das obras. Eis mais um mistério.

O quadro acima foi objeto de texto aqui no blog em um leilão da sua obra. Aqui um texto sobre marca e o artista. Aqui sobre o valor de uma obra de arte. 

17 março 2026

Oscar e a auditoria


Antes mesmo de a primeira celebridade pisar no tapete vermelho da 98ª cerimônia do Oscar, em 15 de março de 2026, e antes de qualquer envelope ser aberto no palco, o trabalho mais importante da premiação já foi realizado — pelos votantes e pelos contadores.

Todos os anos, os vencedores do Oscar são contabilizados, verificados e lacrados pela firma de contabilidade PricewaterhouseCoopers (PwC), que supervisiona o processo de votação da Academia desde 1935 e manteve essa função mesmo após o famoso erro de envelopes em 2017. Neste ano, milhares de membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas votaram em 24 categorias (incluindo uma nova categoria de Melhor Elenco), e a PwC é responsável por coletar, verificar e apurar esses resultados, além de preparar os envelopes lacrados utilizados durante a cerimônia.

A Academia recorreu pela primeira vez a uma firma externa na década de 1930 porque desejava uma terceira parte neutra, confiável tanto em termos de precisão quanto de confidencialidade. As firmas de contabilidade já eram reconhecidas por auditar demonstrações financeiras, verificar cálculos complexos e proteger informações sensíveis de clientes. Em muitos aspectos, a apuração dos votos do Oscar se assemelha a um trabalho especializado de asseguração: uma entidade independente valida os números, utiliza múltiplos controles para confirmar os resultados e preserva a integridade do processo até que o resultado seja divulgado publicamente.

Caso alguém tenha esquecido o que aconteceu em 2017 — ou não tenha prestado atenção na época: a PwC “comemora” sete anos consecutivos sem errar o Oscar. Em resumo (TLDR): um sósia do Matt Damon e então sócio Brian Cullinan entregou o envelope errado, e o vencedor incorreto de Melhor Filme foi anunciado.
 

Da Forbes, via aqui