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26 abril 2026

Rir é o melhor remédio

 

Grande Hagar, o terrível. 

Planilha eletrônica e sua história

Existe alguma ferramenta tão onipresente e, ao mesmo tempo, tão pouco amada? Não seria exagero dizer que o Microsoft Excel, o produto que hoje define a categoria das planilhas, é o software de aplicação mais bem-sucedido já fabricado, contando com cerca de um sexto da humanidade entre seus usuários e decidindo os termos nos quais trilhões de dólares em capital são alocados. E, no entanto, você terá dificuldade em encontrar pessoas que amem a planilha. Você encontrará pessoas que falam poeticamente sobre a beleza e a elegância de certas peças de software — sobre Linux, ou Rust, ou gerenciadores de pacotes Python particularmente rápidos. Mas será difícil encontrar um verdadeiro admirador do Excel. 

(...) Mas não se pode entender realmente a transformação da economia americana ao longo das últimas décadas sem entender a planilha. 

É por isso que, no mundo pré-moderno — quando processar informações e coordenar ações eram tarefas extraordinariamente caras, pois a comunicação era lenta e a coordenação fora de grupos de parentesco relativamente pequenos era difícil — as firmas tendiam a ser negócios locais, centrados em famílias ou redes de alta confiança semelhantes, como mosteiros. Quase todo negócio no mundo era uma empresa familiar. 

Isso mudou com a ascensão da máquina a vapor. O poder mecânico que a máquina a vapor permitiu que as pessoas dominassem trouxe uma aceleração dramática na velocidade, volume e complexidade da vida econômica: expandiu enormemente as oportunidades de lucro, mas — devido à sua periculosidade e complexidade inerentes — também exigiu um controle rigoroso. Era preciso ser capaz de processar toda a complexidade que a fábrica gerava. Assim, entre as décadas de 1840 e 1920, vemos o surgimento de tecnologias projetadas para comunicar informações e coordenar ações em escala — o telégrafo, a impressora rotativa, o arquivo de aço, a máquina de escrever, o telefone, o processador de cartões perfurados e o bloco de papel colunar (columnar pad). 

Esta foi a "revolução do controle". Com essa nova capacidade de processar informações e coordenar atividades, vemos o surgimento da corporação moderna: muito maior, mais ambiciosa e mais centralizada do que qualquer firma do período pré-moderno. Era uma entidade burocrática, operada por gerentes profissionais, projetada para coordenar trabalho e capital em escala massiva.

E, como tantas outras coisas, esse equilíbrio foi abalado pela Lei de Moore. Era inevitável que, conforme os microprocessadores se tornassem mais baratos e potentes ao longo das décadas de 1960 e 1970, alguém descobrisse como representar as funções contábeis do mundo corporativo em um computador. E esse alguém, no final das contas, foi um engenheiro de 27 anos chamado Dan Bricklin.

Bricklin havia estudado ciência da computação no MIT e passara alguns anos criando softwares de processamento de texto para a Digital Equipment Corporation (DEC), a empresa pioneira do minicomputador; mas ele se sentia atraído pelo lado dos negócios e, no final da década de 1970, decidiu deixar a DEC para estudar na Harvard Business School. Sentado em uma sala de aula de Harvard em 1978, observando um professor usar o quadro-negro para resolver os cálculos complexos e interligados envolvidos na avaliação (valuation) de uma empresa, Bricklin percebeu que era possível fazer tudo aquilo em um computador. Ele poderia simplesmente criar, como disse, “um processador de texto que funcionasse com números”. E assim nasceu a ideia da planilha eletrônica.

Bricklin decidiu que essa ideia valia ouro e representaria sua incursão no empreendedorismo. Ele se juntou a um amigo do MIT chamado Bob Frankston, fundou uma empresa chamada Software Arts e passou a maior parte de 1978 e 1979 dando vida à visão da planilha eletrônica.

Como se viu, era um problema intensamente difícil. Bricklin e Frankston estavam projetando seu pacote para o Apple II, que tinha centenas de milhares de vezes menos memória do que um laptop moderno. As demandas de recursos para o processamento de texto eram gerenciáveis, já que um documento é, em última análise, um fluxo de caracteres armazenados sequencialmente na memória; mas as planilhas eram um jogo inteiramente diferente. Cada célula carregava um valor, uma fórmula, formatação e informações de dependência, e a memória necessária para armazenar tudo isso acumulava-se rapidamente; uma grade de qualquer tamanho útil ameaçava esgotar totalmente a capacidade da máquina.

Por isso, Bricklin e Frankston tiveram que ser extraordinariamente precisos na forma como usavam cada byte. Eles escreveram todo o pacote em linguagem assembly para o microprocessador 6502 do Apple II, armazenaram as células em blocos fixos de 32 bytes para minimizar o processamento excedente (overhead) e representaram os valores em formatos de comprimento variável com indicadores de tipo, de modo que valores pequenos consumissem apenas alguns bytes. Mesmo após toda essa engenhosidade, as planilhas resultantes eram pequenas para os padrões modernos: a grade do VisiCalc estendia-se a apenas 63 colunas e 254 linhas — uma tela minúscula comparada ao que um usuário de planilhas hoje considera garantido, mas o suficiente para transformar o trabalho de qualquer um que se sentasse diante dela. Cada decisão de design era, no fundo, uma decisão sobre como economizar memória.


E a atenção aos detalhes valeu a pena. Eles chamaram o pacote de software que produziram de “VisiCalc” — o calculador visível (visible calculator) — e o lançaram para o Apple II no final de 1979. E era realmente uma maravilha da engenharia de software. Era uma fusão brilhante da metáfora organizacional do bloco colunar com a interatividade do processamento de texto e a velocidade do microprocessador. Agora era possível calcular e recalcular coisas instantaneamente; podia-se executar fórmulas complexas de forma programática em vez de manual; e tarefas que antes levavam horas agora levavam alguns minutos. O VisiCalc era uma ferramenta extraordinariamente poderosa. E transformou o Apple II, que até então era um dispositivo para entusiastas, em uma máquina de negócios útil. De fato, o VisiCalc era tão potente que o Apple II era vendido, como escreveu o jornalista John Markoff, principalmente como um “acessório do VisiCalc”. Foi o primeiro software tão convincente que as pessoas compravam o hardware especificamente para executá-lo: o primeiro dos “killer apps”.

(...) (Mitch) Kapor já fora instrutor em tempo integral de meditação transcendental antes de trabalhar como chefe de desenvolvimento na VisiCorp, a empresa que comercializava e distribuía o VisiCalc; ao perceber a oportunidade no mercado de planilhas eletrônicas, decidiu abrir um concorrente. No início de 1983, sua empresa, a Lotus, lançou a planilha eletrônica Lotus 1-2-3, construída especificamente para a máquina da IBM. O Lotus 1-2-3 era uma melhoria significativa em relação ao VisiCalc — oferecia gráficos e uma funcionalidade rudimentar de banco de dados junto com a planilha básica, e conseguia lidar com grades vastamente maiores, oferecendo 256 colunas e mais de oito mil linhas — e, assim, Kapor rapidamente superou Bricklin e Frankston. (...)

Mas a era de domínio da Lotus também não durou muito. O VisiCalc e o Lotus 1-2-3 eram ambos programas baseados em texto e acionados por teclado, navegados com as teclas de seta; mas o futuro, como reconhecido por uma ambiciosa empresa de software de Seattle chamada Microsoft, estava na interface gráfica do usuário, a GUI. Com a GUI, você podia substituir comandos digitados e toques de tecla pela manipulação visual direta, de modo que interagir com a planilha parecia trabalhar com um documento físico: e esta foi a aposta que a Microsoft fez com sua oferta de planilha, o Microsoft Excel. Agora você podia apontar e clicar com um mouse, e ver suas fontes e formatação na tela exatamente como apareceriam quando impressas.

E a Microsoft estava certa de que a GUI era o futuro. O paradigma da GUI conquistou gradualmente o mercado de computação pessoal no final dos anos 80 e início dos 90, e consolidou seu domínio com a ascensão do sistema operacional Windows. Assim que a Microsoft agrupou o Excel em sua oferta do Microsoft Office, junto com seu processador de texto Word e sua ferramenta de apresentações PowerPoint, o destino da Lotus estava selado. Fatalmente presa ao paradigma baseado em texto, a Lotus nunca se recuperou e foi vendida para a IBM em 1995. E assim, o Excel venceu as guerras das planilhas.

(...) Não é exagero imaginar que a introdução da planilha eletrônica terá um efeito semelhante ao provocado pelo desenvolvimento das partidas dobradas durante o Renascimento. Como a nova planilha, o livro-razão de partidas dobradas, com sua separação de débitos e créditos, deu aos mercadores uma visão mais precisa de seus negócios e permitiu que vissem — ali, na página — como poderiam crescer podando aqui e investindo ali. A planilha eletrônica está para a partida dobrada como uma pintura a óleo está para um esboço."

Leia o texto completo aqui

25 abril 2026

Vinho e Fraude


“Vinho e fraude andam de mãos dadas” 
Por Ian Frisch (Newletter do NYTimes)

 Um golpista britânico foi condenado, na segunda-feira, a 10 anos de prisão por enganar mais de 140 vítimas em um esquema de quase US$ 100 milhões. O ativo financeiro que ele usou para construir o golpe? Não foi cripto nem imóveis. Foi vinho. 

  O golpista, James Wellesley, disse a seus investidores que eles estavam concedendo empréstimos a colecionadores de vinho e que ele mantinha os vinhos valiosos desses colecionadores como garantia, segundo promotores federais. Infelizmente para aqueles que confiaram seu dinheiro a ele, nem o vinho nem os colecionadores existiam. 

  O caso de grande repercussão é um entre muitos incidentes recentes envolvendo fraudadores que transformam uvas em crimes financeiros. Patrick Briones, ex-principal comprador de vinhos da rede de supermercados Albertsons, declarou-se culpado em outubro por suborno e conspiração, depois que promotores alegaram que ele havia aceitado propinas, como férias luxuosas e relógios caros, de vendedores de vinho. E o produtor de vinho Jeffry Hill foi condenado em janeiro por organizar um golpe de US$ 2,5 milhões envolvendo uvas, no qual rotulava fraudulentamente suas garrafas.  

  Essa nova onda de fraudes com vinho ocorre em um momento em que o setor enfrenta uma forte desaceleração, com as mudanças climáticas afetando as condições de cultivo das uvas e os consumidores bebendo menos. Segundo o Silicon Valley Bank, o número de vinícolas com saúde financeira “muito fraca” quase triplicou desde 2022. 

  Especialistas hesitam em associar o aumento dos crimes ao ambiente mais amplo de negócios. Em vez disso, dizem que o crime financeiro é um problema antigo, praticamente incorporado ao setor.  

  Frances Dinkelspiel, autora de Tangled Vines, livro sobre um incêndio criminoso em uma casa de vinhos na Califórnia, diz que isso está relacionado à natureza do produto. “Acho que essa indústria atrai pessoas que querem trapacear, porque há uma certa mística em torno do vinho”, disse ela. “Vinho e fraude andam de mãos dadas.”  

  Maureen Downey, especialista em fraude de vinhos e fundadora da Chai Consulting, atribui a proliferação dos crimes envolvendo vinho à cadeia de suprimentos obscura do setor, dizendo que ela é “mais opaca do que a de armas ou drogas ilícitas”.  

  “Está ficando maior e pior porque ninguém quer falar sobre isso”, disse Downey sobre os crimes. “Os produtores não querem admitir que isso está acontecendo, as vítimas não querem se apresentar e os governos não querem investir tempo em investigá-lo.”  

  Uma tendência bem armazenada na adega  

  Um dos primeiros escândalos criminais modernos a abalar o mundo do vinho ocorreu no início dos anos 1990, em meio à ascensão meteórica da popularidade do white zinfandel, um vinho rosado criado pela vinícola de baixo custo Sutter Home. Seu sabor adocicado e preço baixo o tornaram extremamente popular.  

  Em 1993, o famoso vinicultor Fred Franzia, cujas caixas de white zinfandel com torneirinha enchiam muitas geladeiras de baby boomers na época, declarou-se culpado de apresentar uvas de qualidade inferior como se fossem zinfandel. Sua empresa pagou US$ 2,5 milhões em multas, e Franzia prestou serviço comunitário. Esse tipo de fraude, chamado de “blessing of the loads”, estendeu-se a outras vinícolas e, segundo o Los Angeles Times, custou aos consumidores US$ 55 milhões na época.  

  Foi a primeira amostra de até onde as vinícolas de Napa Valley iriam para aumentar os lucros, mas as manchetes logo ficaram em segundo plano à medida que o vinho se tornou mais popular, com as vendas de vinho tinto saltando 39% apenas em 1992. Franzia superou seu escândalo do white zin e, em 2002, lançou o “Two Buck Chuck” por meio da Trader Joe’s, que vendeu mais de 800 milhões de garrafas na década seguinte.  

  A posterior ausência de escândalos em Napa Valley durante os anos 2000 provavelmente não se deveu a uma redução dos crimes cometidos, mas sim à falta de fiscalização. “Houve uma calmaria”, disse Benjamin Kingsley, ex-procurador assistente dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia, ao DealBook, acrescentando que o isolamento geográfico e cultural de Napa Valley tornava as investigações especialmente difíceis.  

  “A capacidade de construir um caso depende inteiramente de um agente realmente persistente e de um procurador assistente igualmente persistente”, disse ele, referindo-se ao cargo que ocupava anteriormente.  

  Essas estrelas da promotoria se alinharam depois da crise financeira de 2008. O dinheiro voltou a fluir para Napa Valley, o crime acompanhou esse movimento, e grandes casos começaram a ser construídos.  

  A ascensão do grande crime do vinho  

  Rudy Kurniawan é um dos fraudadores mais prolíficos do mundo do vinho moderno. Entre 2002 e 2012, ele vendeu cerca de US$ 150 milhões em vinhos fraudulentos. Tema do documentário Sour Grapes, de 2016, Kurniawan explorava a credulidade de consumidores de vinho pouco sofisticados que tentavam comprar prestígio adquirindo safras raras. Em 2009, o bilionário Bill Koch processou Kurniawan e, em 2013, o golpista foi condenado a 10 anos de prisão.  

  Kurniawan parecia ser um sinal precursor de certo tipo de criminoso que havia se infiltrado no ecossistema do vinho. Seus crimes envolviam mais dinheiro e eram mais sofisticados do que a maioria dos golpes anteriores no setor, com algumas exceções notáveis: em 2005, por exemplo, o produtor de vinho Mark Anderson incendiou um depósito que abrigava 4,5 milhões de garrafas de vinho — avaliadas em aproximadamente US$ 250 milhões — para apagar evidências de suas práticas comerciais fraudulentas.  

  Depois da prisão de Kurniawan, investigadores expuseram uma enxurrada de outras fraudes, falsificações e produtos falsos. Em 2015, uma contadora da Whitehall Lane Winery foi presa e acusada de desviar mais de US$ 600 mil e, no mesmo ano, o antigo comerciante de vinhos John E. Fox foi pego por operar um esquema Ponzi de décadas, no qual vendia “futuros de vinho” a investidores. Fox admitiu ter vendido, ou tentado vender, US$ 20 milhões em “vinho fantasma” entre 2010 e 2015.  

  Também por volta dessa época, ladrões roubaram US$ 550 mil em vinhos do famoso restaurante The French Laundry, na Bay Area, e o conhecido vinicultor de Napa Robert Dahl matou seu investidor, Emad Tawfilis, depois que Tawfilis descobriu que Dahl vinha desviando recursos. Depois de perseguir Tawfilis por seu vinhedo com uma arma e atirar nele, Dahl voltou a arma contra si mesmo.  

  Condições propícias ao amadurecimento  

  A indústria do vinho enfrentou fortes ventos contrários econômicos nos últimos anos, que estão entre os mais difíceis para Napa Valley. “Comecei a falar sobre uma correção de mercado em 2017”, disse Rob McMillan, vice-presidente executivo do Silicon Valley Bank e autor do relatório anual do banco sobre a indústria do vinho. “Mas está pior do que eu esperava.” &n 

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  Segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho, o consumo de vinho está no nível mais baixo desde os anos 1960, e a Gallup constatou que o consumo geral de álcool atingiu seu menor nível em 90 anos, caindo para 54% entre adultos nos Estados Unidos em 2025, ante 60% em 2023.  

  

  Isso atingiu duramente as vinícolas, especialmente em Napa Valley. “Trinta por cento da indústria está realmente sofrendo”, disse McMillan. O meio está estável, acrescentou ele, e os 20% principais produtores estão indo bem — mais um exemplo de uma trajetória em formato de K.  

  Com o futuro de Napa Valley em risco, o crime pode parecer ainda mais tentador para vinicultores desesperados. E a própria natureza do mercado facilita a prática de fraude, falsificação, suborno e roubo. 

   

  Muitas vinícolas são pequenos negócios, o que atrai injeções de capital pouco estruturado, mais fáceis de manipular do que investimentos institucionais. A estrutura regulatória e a fiscalização criminal em torno do vinho têm se mostrado irregulares e, diferentemente da maioria dos produtos, determinar a legitimidade de um vinho exige um grau de sofisticação técnica extremamente difícil de dominar. Muitos consumidores de vinho, diante de uma degustação às cegas, teriam dificuldade em distinguir uma garrafa de US$ 2.000 de uma garrafa de US$ 20. Por isso, muitos acreditam que a fraude encontrará seu caminho no vinho, independentemente das condições econômicas.  

  “Em todas as economias dos últimos 30 anos, tivemos crime”, disse McMillan. “Há muitas maneiras de criar fraude por meio do vinho. Esse é o problema, não o estado da economia.”

Lider como ativo: caso de Cook da Apple

Um líder em uma organização pode ser considerado um ativo? Aqui, é necessário separar a teoria da prática, no sentido de que nem sempre o que se enquadra na teoria — nesse caso, o conceito de ativo — pode ser visto na prática contábil das empresas. No caso, a resposta pode ser um sonoro sim na teoria, mas um não quando verificamos o que é feito na prática. 

Parte da prática é influenciada pelos reguladores, como o IASB, mas não somente. Há também uma grande influência do que os profissionais contábeis fazem em razão dos dilemas que encontramos: a relação custo-benefício e a falta de instrumentos para separar a influência do líder de outros aspectos da gestão. De qualquer forma, há uma crença generalizada de que um comandante importa e de que os rumos de uma organização são ditados pelos administradores do alto escalão. Há dúvidas quanto a essa generalização, já que, em alguns casos, o líder pode simplesmente seguir na onda da cultura da entidade.  

O certo é que a discussão teórica não tem sido sequer considerada, nem pelos teóricos, nem pelos reguladores, quanto mais pelos profissionais contábeis. Estamos em um momento em que a Apple, uma das empresas mais conhecidas e admiradas no mundo dos negócios, está promovendo uma mudança no comando. Há alguns anos, mais precisamente em 2011, Tim Cook assumiu a difícil tarefa de substituir o grande líder da empresa, Jobs, que, por conta da saúde e posterior falecimento, deixou um incrível legado. A missão era difícil, mas o gráfico mostra que Cook se saiu bem, já que o preço da ação da empresa esteve bem acima do preço médio das ações do mercado.  


Agora, Cook anunciou que a empresa fabricante do iPhone estará sob novo comando brevemente. A data já está fixada para 1º de setembro de 2026. O novo chefão chama-se John Ternus. Ele trabalha na empresa há 25 anos e ajudou a empresa atuando no desenvolvimento do iPad e do Mac. Na sua área, a engenharia de hardware, está boa parte do sucesso da empresa. Isso é interessante, já que a Apple terá que conviver, nos próximos anos, com os impactos da inteligência artificial, e Ternus é uma pessoa do hardware. Nos próximos anos, iremos comprovar se Ternus será um ativo ou um passivo para a empresa.



14 abril 2026

Deloitte no espaço


Eu até fui verificar se não era notícia de primeiro de abril:  

Deloitte-2 e Deloitte-3 foram lançados em 29 de março de 2026 a partir da Base da Força Espacial de Vandenberg para ampliar a presença orbital da Deloitte. Os novos satélites transportam cargas úteis projetadas para aumentar a capacidade de coleta de dados espaciais e ajudar a atender às crescentes necessidades dos clientes por dados e insights baseados no espaço.

Atenção no mundo moderno

A capacidade média de atenção humana encolheu em cerca de dois terços entre 2004 e meados da década de 2010, com a queda mais acentuada por volta de 2012. Essa constatação vem da pesquisadora Gloria Mark, da UC Irvine, e serve de base para um artigo de opinião no New York Times escrito por Cal Newport — professor de Ciência da Computação em Georgetown e autor de Deep Work —, no qual ele argumenta que a capacidade cognitiva coletiva está declinando de maneiras que agora podem ser medidas por dados.
A proporção de adultos nos Estados Unidos com dificuldade em leitura básica ou matemática aumentou na última década. Também cresceu o percentual de jovens de 18 anos que relatam dificuldade para pensar ou se concentrar. Uma meta-análise associou plataformas de vídeo curto — como TikTok e Instagram Reels — a pior desempenho cognitivo. Segundo o Work Trend Index 2025 da Microsoft, trabalhadores de escritório são interrompidos a cada 2 minutos. O Financial Times chegou a perguntar se os seres humanos já ultrapassaram o “pico do poder cerebral”.



Newport chama o TikTok de “Doritos digitais” — conteúdo ultraprocessado, projetado para consumo, não para nutrição. Um experimento de 2023 constatou que um smartphone, mesmo parado e sem uso em um cômodo, ainda assim reduzia a capacidade de concentração dos participantes. Um estudo de janeiro encontrou uma “correlação negativa significativa entre o uso frequente de ferramentas de IA e as habilidades de pensamento crítico”, e outro estudo separado verificou que a conectividade cerebral foi “sistematicamente reduzida” quando as pessoas escreviam com ajuda de LLMs.
A recomendação dele é simples: ler algumas dezenas de páginas de um livro por dia e deixar o celular na cozinha durante a noite. As proibições do uso de celulares nas escolas oferecem uma prévia do que acontece quando os padrões mudam: um working paper do NBER constatou melhorias significativas nas notas dos testes após a entrada em vigor dessas proibições, e três quartos de 317 escolas de ensino médio na Holanda relataram maior foco dos estudantes.

Fonte: aqui 

13 abril 2026

Muitos anos depois...

APOLLO 11

20 de julho de 1969

    "Este é um pequeno passo para o homem, um salto gigante para a humanidade."
    — Neil Armstrong

ARTEMIS II

2 de abril de 2026

    "Eu tenho dois Microsoft Outlooks, e nenhum dos dois está funcionando."
    — Reid Wiseman