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09 fevereiro 2026

Super Bowl e desconfiança


O Super Bowl é uma noite interessante para analisar o que está ocorrendo na economia. No domingo, tivemos mais esse evento anual e foi possível perceber a força da IA. Segundo o New York Times, nos comerciais durante o jogo predominou os anúncios desse setor. O número: um quarto dos anúncios — ou 15 dos 66 spots —, com um custo de 8 milhões de dólares por 30 segundos, apresentaram a IA. E isso incluiu a OpenAI, a Anthropic e algumas empresas menores. Até a vodka Svedka usou o tema para vender bebida.

Em 2022, o jogo foi dominado pelas criptos, incluindo a FTX, que logo depois entraria em falência. Em 2000, tivemos o jogo das ponto-com, com anúncios de empresas inovadoras na internet, como Pets, Epidemic e outras. Muitas não estão mais nos negócios. Analisando o que ocorreu ontem, George Noble, um profissional de investimento citado pelo New York Times, afirma:

“Quando um setor inteiro inunda os imóveis publicitários mais caros do planeta, não é um sinal para comprar. É um sinal para pensar MUITO cuidadosamente sobre o que vem a seguir.”

08 fevereiro 2026

Para citar, Openscholar


Um modelo de inteligência artificial de código aberto chamado OpenScholar pode superar alguns dos principais grandes modelos de linguagem (LLMs) na revisão de literatura científica e acerta as citações com mais frequência. O OpenScholar combina um LLM com um banco de dados de 45 milhões de artigos de acesso aberto e vincula diretamente as informações que utiliza à literatura, para evitar que o sistema “alucine” citações. O modelo é limitado pelo alcance de seu banco de dados, afirma a equipe que o desenvolveu. Mas executá-lo é muito mais barato do que rodar um modelo grande como o GPT-5, diz a cientista da computação Hannaneh Hajishirzi.

Leia aqui 

07 fevereiro 2026

Arquivo Epstein e Contabilidade

Qualquer pessoa pode pesquisar nos documentos liberados pelo DOJ com os arquivos do criminoso Jeffrey Epstein. O link está aqui

Fiquei brincando durante um tempo, pesquisando alguns nomes aleatórios. Nem sempre aparecer nos arquivos significa algo. Por exemplo, se digitar Magnus Carlsen, o maior jogador de xadrez, irá aparecer dois resultados. Em um deles, um link para um notícia sobre ele ter jogado um torneio exibição em Harvard e outro comentando que seria um exemplo de menino prodígio, juntamente com uma longa lista. Idem para Messi e outros nomes famosos. (A propósito, Neymar não aparece nos arquivos)

Sendo um blog de contabilidade, resolvi digitar o nome mais lembrado, Pacioli, e o nome do padre mais famoso da nossa área apareceu no seguinte trecho (já traduzido e eliminado o "lixo"):

“O custo dos produtos atuais é composto, em grande parte, por P&D, ativos intelectuais e serviços.
O sistema contábil de Pacioli praticamente não mudou nos últimos 500 anos e, enquanto nossa riqueza era física e nossos custos incluíam principalmente materiais e trabalho, esse sistema era adequado. O sistema de partidas dobradas baseava-se em informações históricas e, tradicionalmente, fornecia relatórios e demonstrações financeiras duas semanas após o fechamento do mês.
As empresas hoje, porém, não precisam de informação duas semanas após o fechamento do mês, mas imediatamente; informações contábeis, atividades e indicadores de desempenho devem estar disponíveis ao simples toque de um botão. A tendência na era da informação é conceituar e implementar a contabilidade como um sistema de informação baseado em banco de dados, que reúne todos os eventos quantitativos e qualitativos de todas as áreas da empresa.
Oracle, PeopleSoft e SAP são atores globais nessa reconceitualização da contabilidade como um sistema de informação baseado em banco de dados, e fornecem serviços a grandes corporações.
Existem também excelentes pacotes de software contábil disponíveis no mercado. Exemplos desses pacotes são Pacioli 2000 for Windows, Peachtree Complete Accounting e QuickBooks Pro.
O poder desses softwares pode ser apreciado ao consultar o site que lista as funcionalidades do Pacioli 2000 for Windows, bem como o artigo de meu pai intitulado “Pacioli 2000 for Windows: An Accounting Software Solution to Address the Problems of Accountability of Saskatchewan District Health Boards”, de junho de 1996. 

Por curiosidade também digitei nomes de pessoas que ocuparam cargos de liderança no Fasb, Iasb e IFRS. O único resultado que obtive foi Masamichi Kono, que foi vice-chair da Fundação, mas nada comprometedor. 

Possível conclusão que podemos chegar: 

a) apesar de ser um homem de finanças, Epstein não se interessava por contabilidade, apesar do termo aparecer mais de 9 mil vezes nos arquivos. E Fasb aparece 125 vezes. 

b) as pessoas da nossa área são puras e castas. Por isso, não se associam com criminosos como Epstein

c) a contabilidade não estava no foco de Epstein. Afinal, a contabilidade só registra os fatos. 

Outra possível explicação?  

Vestibular UnB 2026: maioria masculina

Saiu o resultado do vestibular da UnB 2026 para o campus Darcy Ribeiro. Entre os aprovados em Ciências Contábeis, 39,7% são mulheres e 60,3% homens.

O dado chama atenção quando comparado a análises que fizemos em anos anteriores: em 2012, as mulheres eram 54% dos aprovados; no primeiro vestibular de 2013, 58%; e no segundo, 42%. O resultado atual sugere uma redução da participação feminina entre os ingressantes do curso, pelo menos neste processo seletivo.

Entre os nomes, há também um retrato da turma: Gabriel (7 ocorrências) e Maria (6) foram os mais frequentes, seguidos por João (6) e Ana (5), um pequeno “censo nominal” da nova geração de estudantes de Contábeis da UnB.



06 fevereiro 2026

IPSASB SRS 1 Divulgações relacionadas ao clima

Já falamos diversas vezes (ex. aqui, aqui, aqui) sobre as normas International Public Sector Accounting Standards (IPSAS), emanadas pelo International Public Sector Accounting Standards Board (IPSASB), responsável pela adaptação das normas IFRS para o setor público no mundo. 

A primeira norma sobre divulgações relacionadas ao clima, a IPSASB SRS 1, acaba de ser publicada. O objetivo é orientar as entidades do setor público na divulgação de informações úteis sobre riscos e oportunidades relacionados ao clima. 

Um conceito central da norma é a sustentabilidade fiscal de longo prazo (long-term fiscal sustainability), tida como a capacidade de uma entidade cumprir seus compromissos de prestação de serviços e financeiros, tanto agora quanto no futuro. 

A estratégia da norma é permitir aos usuários primários dos relatórios de propósitos gerais entender as estratégias das entidades para administrar riscos e oportunidades relacionados ao clima. O debate climático sai do campo exclusivamente ambiental e passa a abranger o núcleo da responsabilidade governamental e da accountability pública.

Assimetria da recompensa


Harford depois de analisar o esqueleto de Piltdown (uma farsa), o experimento de Robbers Cave State Park (idem), a prisão de Philip Zimbardo (também) e o livro de Oliver Sacks, O Homem que Confundiu sua Mulher com um Chapéu, conclui:

Há lições a tirar desse catálogo de distorções e exageros? Existe o velho alerta contra histórias boas demais para serem verdade — e ele se aplica aqui. Mas há também um problema estrutural: as recompensas por “descobrir” um achado científico espetacular são grandes; as recompensas por desmascarar fraudes ou refrear alegações exageradas são pequenas, quando não inexistentes. Se essas são as regras do jogo, não deveríamos nos surpreender com a forma como ele é jogado. 

O executivo que anuncia lucros ilusórios, como o gestor da Enron, e a denunciante, que alerta para o problema, mostra que isso ocorre na contabilidade. O ex-executivo da Enron recebeu muito dinheiro para palestrar em um congresso de Contabilidade, pago com a anuidade dos profissionais. A denunciante, ninguém lembra o nome e nunca mereceu um convite. (Eu sugeri convidá-la para um congresso nacional científico, quando me pediram sugestões de nomes. Por alguma razão, não foi possível fechar a vinda da contadora.)

Poder da palavra

Uma mesma ação pode ser vista de forma diferente conforme as palavras usadas para descrevê-las. Parece bem atual, mas descubro agora que no início do século XIX essa noção já existia.  

Eis o texto: 

Em 1817, o filósofo Jeremy Bentham criou uma tabela mostrando como o mesmo impulso humano poderia ser descrito de maneiras radicalmente diferentes dependendo da perspectiva adotada. Em uma coluna, ele escrevia “gula” — dura e condenatória. Na coluna seguinte, “amor pelos prazeres da mesa social” — de repente soa bastante civilizado, não é?


Bertrand Russell, ao comentar isso em 1929, observou como “espírito público” na coluna do elogio se alinhava com “maldade” na coluna da censura. O mesmo comportamento, interpretado de formas completamente distintas dependendo de quem o pratica ou o observa.

O conselho de Russell? “Recomendo a qualquer pessoa que deseje pensar com clareza sobre qualquer questão ética que imite Bentham nesse aspecto e, depois de se acostumar com o fato de que quase toda palavra que expressa censura tem um sinônimo que expressa elogio, desenvolva o hábito de usar palavras que não transmitam nem elogio nem condenação.”

Bentham entendia que a linguagem molda a realidade de maneiras sutis. Como ele colocou: “Por hábito, sempre que um homem vê um nome, é levado a imaginar um objeto correspondente, cuja realidade ele aceita, por assim dizer, como se o próprio nome funcionasse como um certificado.”

Essa percepção de dois séculos atrás parece dolorosamente atual. Todo argumento político, todo debate nas redes sociais, toda discussão em um jantar de família frequentemente se resume às mesmas ações, apenas vestidas com diferentes roupagens linguísticas.

Imagem aqui 

A Contabilidade? Também funciona. Fale em redução ao valor recuperável parece algo corriqueiro, mas perda pelo valor do valor contábil estar a menor que o valor de uso tem uma conotação mais negativa. Bancos conta credora é algo razoável, mas saldo negativo na conta bancária parece mais crítico. Relatório de auditoria com ressalva tem uma conotação mais corriqueira e positiva do que relatório  de auditoria sem aprovação integral dos valores.