Translate

12 julho 2026

Bíblia perversa


Falando em livros, eis uma história interessante, também via Boing-Boing:

A Bíblia Perversa é uma reimpressão de 1631 da Bíblia do Rei Jaime que, acidentalmente, ordenava aos seus leitores que pecassem. Ao compor os Dez Mandamentos, os impressores reais de Londres omitiram a palavra "não" de Êxodo 20:14, de modo que o Sétimo Mandamento passou a ser "Cometerás adultério".

Não foi o único deslize. Deuteronômio acabou elogiando "sua glória e seu grande traseiro" em vez de sua grandeza. O duplo erro foi tão grave que alguns historiadores suspeitam que uma gráfica rival tenha sabotado o trabalho para revogar a lucrativa licença bíblica da dupla; em algumas cópias sobreviventes, uma mancha de tinta está exatamente onde o "n" ausente deveria estar, como se alguém tivesse tentado escondê-lo.

Os impressores foram convocados à Câmara Estrelada, multados em 300 libras e tiveram sua licença cassada, e a maior parte da tiragem foi queimada. Cerca de 25 exemplares sobreviveram, muito valorizados por colecionadores — um deles foi vendido na Sotheby's em 2018 por US$ 56.250.

Verbaprima

O site VerbaPrima é bem simples: apresenta a primeira frase de livros famosos. Por exemplo:

A primeira frase da Bíblia judaica apareceu enquanto fazia essa postagem. Nem sempre é somente uma frase, como é o caso de Camus:

Dois problemas: está em língua inglesa e há uma predominância por livros da cultura ocidental. Dica daqui.


Custo: uma barreira na expansão da IA?

A notícia


Nos últimos anos, funcionários de praticamente todos os setores imagináveis ​​foram obrigados a treinar ou trabalhar com Inteligência Artificial . Muitas vezes, a parceria com um Modelo de Linguagem Complexo levou à demissão do profissional com quem ele era associado: por que manter um humano na folha de pagamento quando uma máquina pode fazer o trabalho por menos dinheiro? A menos que você estivesse muito, muito enganado sobre o custo de manutenção de uma IA. (...) 

De acordo com conversas vazadas do Slack, painéis internos e outros materiais obtidos pela 404 Media de meia dúzia de empresas, incluindo Atlassian, Adobe e Amazon, a limitação de largura de banda é real:

Empresas dos setores de tecnologia, entretenimento e bancário estão restringindo o uso de IA por seus funcionários, implorando que optem por modelos menos potentes para evitar o aumento exorbitante dos custos. Em um caso específico, os gastos com IA triplicaram, chegando a mais de US$ 15 milhões por mês. (...) 

E como as empresas que desenvolveram a IA precisam de devolver os investimentos para os financiadores, sob a forma de juros e dividendos, os preços podem aumentar. Talvez o modelo que combine acesso livre até um limite e pago após precise ser ajustado. 

11 julho 2026

Usando IA para realizar prova

Roberto Serrano, professor de economia da Universidade Brown, aplicou uma prova parcial para ser feita em casa, e parece que a maioria dos alunos usou inteligência artificial para realizá-la. Desconfiado de fraude, Serrano exigiu que a prova final fosse feita presencialmente. Para o Inside Higher Ed, Emma Whitford mapeou a discrepância entre as altas notas da prova parcial e as notas finais, muito mais baixas:


Fonte: aqui

Padrão próximo ao que tenho encontrado nas minhas aulas. Acredito que o futuro é a prova presencial. 

02 julho 2026

Regressão linear imprópria

A navalha de Ockham afirma que a simplicidade é melhor que a busca da precisão a todo custo. Quanto mais simples, melhor. Um pesquisador, Robyn Dawes, sugeriu um método denominado regressão linear “imprópria”.


A técnica de regressão é amplamente aplicada na ciência e utiliza cálculos para representar uma realidade. Se tenho dois conjuntos de dados, uso uma planilha eletrônica ou um software estatístico, e pode ser feito o cálculo da relação entre as variáveis. A coisa é mais complexa, pois é necessário fazer um conjunto de testes para certificar que as suposições da técnica foram atendidas. Mas Dawes despreza isso e propõe que os pesos sejam escolhidos arbitrariamente.

Tim Harford dá um exemplo bastante didático: em uma conferência, Dawes foi desafiado a construir um modelo para prever se um casal é feliz. Ele propôs uma explicação sem rodar nenhum software, baseada em duas variáveis: se a quantidade de sexo fosse maior que a de brigas, o casal seria feliz; caso contrário, quando as brigas excedessem o sexo, o casal seria infeliz. É algo sensato e talvez não impróprio, pois não depende de um estudo científico. Parece que os dados coletados confirmam a hipótese.

Duas questões podem surgir da proposta. Primeiro, será que o modelo de regressão linear imprópria funciona? Em outras palavras, quando tomo um conjunto de dados, a previsão é próxima de uma previsão realizada por um modelo de regressão? Se o modelo funciona, qual é a razão para funcionar? Admitindo uma resposta afirmativa para a primeira questão, um modelo impróprio não é tão arbitrário assim: afinal, é razoável imaginar que há uma relação entre sexo, brigas e felicidade.

Dawes não foi o primeiro, nem será o último, a estudar regras simples. Essas regras são tão comuns que os cientistas deram um nome para elas: heurísticas.

Finanças pessoais de Trump e os negócios de cripto


Tivemos, recentemente, a divulgação financeira pessoal de Donald Trump, referente a 2025. Ficamos sabendo que o presidente dos Estados Unidos teve ganhos superiores a US$ 1 bilhão com criptoativos. A principal fonte teria sido a licença associada ao token $TRUMP, com cerca de US$ 635 milhões em royalties, além de receitas ligadas à World Liberty Financial, empresa cripto conectada à família Trump. 

Os ganhos ocorreram enquanto o governo Trump influenciava a regulação do setor, o que reacendeu críticas sobre conflitos de interesse. A Casa Branca negou irregularidades e afirmou que os ativos seriam administrados de forma independente. A divulgação também mostra outras receitas relevantes, como propriedades, clubes de golfe, licenciamento de marca e produtos comerciais. 

Taylor Swift Tax


Para aumentar a arrecadação, o estado de Rhode Island, Estados Unidos, criou um imposto sobre "segundas residências". O estado costeiro possui um grande número de praias, ilhas e áreas de veraneio, inclusive uma residência da cantora Taylor Swift. Várias casas são usadas como veraneio. Logo, a nova taxa foi chamada de Imposto Taylor Swift (Taylor Swift Tax). 

A taxa cobra cinco dólares para cada mil dólares do valor avaliado para imóveis com valor acima de um milhão. O problema é que famílias com imóveis herdados poderão ter que vender os ativos. A expectativa de arrecadação é de 24,5 milhões.