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19 agosto 2026

Intangíveis pelo regulador britânico


O fato de serem estudos de casos pode comprometer a extrapolação das conclusões, mas um estudo do UKEB mostrou os problemas com a questão do intangível ainda merece melhorias por parte dos reguladores. O interessante é que UKEB destaca que há implicações possíveis até para a Estrutura Conceitual. 

1. Sumário Executivo

1.1 Este relatório apresenta as conclusões do programa de pesquisa baseado em estudos de caso do UKEB sobre itens intangíveis. Por meio de quatro estudos de caso cobrindo custos de treinamento, pesquisa e desenvolvimento (P&D), créditos de carbono e dados, o projeto explorou a visão das partes interessadas (stakeholders) sobre a dinâmica econômica dos itens intangíveis e os desafios contábeis correlatos.

1.2 O relatório sintetiza essas visões dos stakeholders. O seu objetivo principal é subsidiar análises adicionais e deliberações do Conselho em relação ao Projeto de Pesquisa de Intangíveis mais amplo do UKEB. Ele não apresenta conclusões nem recomendações sobre futuros requisitos contábeis.

1.3 Embora os estudos de caso tenham abordado diferentes tipos de itens intangíveis, os participantes retornaram frequentemente a questões semelhantes ao discutir a economia subjacente e os respectivos resultados contábeis.

1.4 Nos quatro estudos de caso, os participantes levantaram questões recorrentes relativas à identificação do ativo subjacente, ao papel do modelo de negócios, ao controle e à unidade de conta, à incerteza em relação ao reconhecimento e à mensuração, à comparabilidade entre recursos adquiridos e gerados internamente, e à relação entre reconhecimento e divulgação (disclosure).

1.5 Tomados em conjunto, os comentários destacaram dúvidas recorrentes sobre como a dinâmica econômica dos itens intangíveis é refletida nas demonstrações financeiras. Nos estudos de caso, os participantes descreveram atividades que frequentemente exigem um alto investimento inicial, geram benefícios ao longo do tempo e envolvem variados graus de incerteza.

1.6 Os participantes também ressaltaram as dificuldades na aplicação dos requisitos contábeis existentes quando o valor se desenvolve ao longo do tempo, é criado por meio da combinação de recursos, capacidades e atividades, ou permanece incerto. Muitos participantes enfatizaram a importância de se compreender o modelo de negócios de uma entidade, a natureza do ativo subjacente e as questões de controle e unidade de conta antes de avaliar os resultados contábeis.

1.7 Os participantes apoiaram, em geral, o aprimoramento das divulgações e destacaram a importância de informações sobre premissas, julgamentos, riscos e modelos de negócios. No entanto, muitos questionaram se as divulgações isoladamente seriam capazes de resolver as preocupações relativas ao reconhecimento, à mensuração e à comparabilidade — especialmente onde recursos economicamente significativos permanecem não reconhecidos ou onde recursos semelhantes recebem tratamentos contábeis diferentes dependendo de serem adquiridos ou desenvolvidos internamente.

1.8 Essas observações deram origem a uma série de questões abrangentes e transversais sobre como os requisitos contábeis existentes identificam, reconhecem, mensuram e prestam informações sobre recursos intangíveis. Tais questões vão além dos fatos específicos dos estudos de caso individuais e refletem problemas recorrentes identificados em uma ampla gama de intangíveis.

1.9 O fato de temas semelhantes terem surgido em todos os quatro estudos de caso sugere que eles não se limitam a transações ou cenários específicos. Pelo contrário, essa consistência de temas aponta para questões mais amplas de relatos financeiros associados a recursos intangíveis e às fontes modernas de criação de valor. Este relatório resume os temas comuns e as questões contábeis identificadas durante as consultas públicas com os stakeholders. Trabalhos adicionais serão necessários para determinar como essas questões devem ser endereçadas.

1.10  As conclusões detalhadas, juntamente com os temas transversais e as questões abrangentes identificadas ao longo das consultas, subsidiarão os trabalhos futuros do UKEB, incluindo o engajamento com o IASB em seu próprio projeto sobre Ativos Intangíveis.

1.11 Pesquisas futuras do UKEB pretendem adotar uma abordagem dedutiva (top-down) para identificar princípios fundamentais que sejam relevantes para o reconhecimento, a mensuração e a divulgação de itens intangíveis. A pesquisa considerará as implicações mais amplas deste relatório para os relatos financeiros e sua interação com os requisitos contábeis existentes, a Estrutura Conceitual do IASB e outros desenvolvimentos na normatização contábil. Análises adicionais e a deliberação do Conselho fundamentarão quaisquer visões, prioridades ou recomendações futuras decorrentes deste trabalho.

Banco Central Europeu alerta sobre bolha

Mais um alerta sobre uma possível bolha em IA. Agora é de economistas do Banco Central Europeu, que consideram altamente provável uma correção de mercado e que pode ter alcance de longo prazo no mundo. 


A análise , elaborada por economistas e pesquisadores financeiros do BCE, examinou duas explicações para a bolha financeira da IA.

A primeira, denominada "visão racional", é que investimentos tecnológicos sem precedentes se justificam pela "extrema incerteza" sobre os efeitos de uma tecnologia em desenvolvimento na produtividade. Por exemplo, em outubro do ano passado, a gigante dos chips Nvidia se tornou a primeira empresa avaliada em US$ 5 trilhões com base na mera possibilidade de que algum salto quantitativo nas capacidades da IA ​​pudesse surgir. Se isso acontecer, a Nvidia seria a vendedora de "picaretas e pás" na corrida do ouro da indústria de IA (é claro que esse tipo de mina de ouro da IA ​​ainda não emergiu da lama do rio).

“Na pior das hipóteses, em um cenário como esse, os investidores perdem seu investimento”, escrevem os autores. “Mas, na melhor das hipóteses, os ganhos são grandes e realmente difíceis de superar. Esse 'valor da opção' aumenta a avaliação das ações dos primeiros investidores, fazendo com que seus índices preço/lucro subam acentuadamente.”

A segunda explicação é a “visão comportamental”. Essa interpretação sustenta que os investidores “excessivamente confiantes” e “excessivamente otimistas” estão essencialmente se deixando levar pela euforia em torno da IA, ignorando a possibilidade racional de perdas financeiras devastadoras ou ganhos sem precedentes, em favor de uma atitude de viver o momento.

Quando esse tipo de excesso de confiança em relação às novas tecnologias desaparece, argumentam os autores, as perdas decorrentes de uma correção de mercado podem ser rápidas e severas, muito maiores do que em um cenário racional.

É difícil dizer qual dos dois cenários está se concretizando agora — e provavelmente é uma mistura complexa de ambos. 

Planos para o Iasb e o ISSB

Ao mesmo tempo de indicou o próximo chefe da Fundação IFRS e do Iasb, o regulador internacional anunciou um plano de cinco anos. A notícia saiu no Accounting Today e foi resumida pelo GPT da seguinte forma:


A IFRS Foundation anunciou um plano de cinco anos para fortalecer sua estrutura financeira e operacional, envolvendo tanto o IASB quanto o ISSB. A estratégia busca diversificar as fontes de financiamento, ampliar contribuições de jurisdições e participantes do mercado e explorar receitas de licenciamento, após o déficit recente do IASB. Também estão previstas mudanças de governança: IASB e ISSB deverão ter apenas dez membros cada a partir de 2028. No campo da sustentabilidade, o ISSB terá financiamento assegurado até 2031 e ganhará um novo escritório em Genebra em 2027. A Fundação também propôs alterações em sua Constituição, atualmente em consulta pública.

A questão do financiamento do ISSB era algo que preocupava, conforme postamos aqui. A redução do número de pessoas no Board também já era esperado. Mas os números divulgados sobre 2025 mostram uma Fundação em cortar custos. Mas é estranho que assim que recebeu a garantia de recursos, anuncia-se a abertura de mais um escritório, em uma cidade onde o custo de vida é elevado. Mas Genebra irá fazer com que o ISSB fique mais perto dos banqueiros. 

Hillary Salo irá assumir o Fasb em 2027


Está é Hillary H. Salo, a próxima presidente do Financial Accounting Standards Board. Seu mandato vai de julho de 2027 até 2034. Ela não é nova sobre o assunto, ocupando o cargo de vice-presente do próprio Fasb e irá ocupar o cargo que atualmente é de Richard R. Jones. A sua origem é a KPMG, onde chegou ao cargo de sócia. Também trabalhou na SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos. 

Sua graduação foi em administração, tendo feito o mestrado na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill. A foto é daqui.

Interessante que nos últimos dias tivemos algumas mudanças nos principais reguladores contábeis mundiais. 

O Iceberg dos gastos em IA

 

Nove das principais empresas de tecnologia tinham cerca de US$ 3 trilhões em compromissos fora do balanço patrimonial, a maioria relacionada à inteligência artificial, de acordo com uma análise do Wall Street Journal baseada em notas explicativas de seus registros mais recentes junto à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC). Essas obrigações estão crescendo mais rapidamente do que o investimento de capital tradicional (capex), que totalizou cerca de US$ 600 bilhões no último ano, e representa aproximadamente o triplo do que as empresas devem em seus contratos de arrendamento e empréstimos de longo prazo.

É do WSJ, via aqui. O levantamento é só de algumas empresas. Na parte debaixo da figura, o que não foi contabilizado. 

18 agosto 2026

Rir é o melhor remédio

 

Fonte: aqui

Contador e a cultura popular

Este artigo examina como a literatura acadêmica tem estruturado o estudo das representações do contador na cultura popular. O objetivo é organizar um campo ainda disperso, marcado pela variedade de mídias, temporalidades, contextos culturais e abordagens metodológicas. Para isso, realizou-se uma Revisão Estruturada da Literatura com base em um corpus de 39 estudos publicados entre 1958 e 2024, identificados em periódicos nacionais e internacionais. A análise foi conduzida a partir de seis dimensões, período histórico, mídia principal, arquétipo predominante, tom da análise, contexto cultural e estratégia e desenho metodológico. Os resultados mostram concentração da produção em contextos anglófonos, predomínio da literatura e do cinema, recorrência do arquétipo do contador mecânico ou beancounter e prevalência de abordagens qualitativas, com presença expressiva de pesquisa histórica ou arquivística. A síntese analítica indica que as representações do contador variam conforme a articulação entre contexto sociotemporal, dispositivo cultural, função narrativa e atributos simbólicos, em meio a tensões recorrentes ligadas à visibilidade, à moralidade e ao protagonismo profissional. Como contribuição, o estudo propõe uma estrutura analítica integradora e sistematiza uma agenda de pesquisa orientada por lacunas empíricas, culturais e metodológicas.

A pesquisa foi publicada na 

REPRESENTAÇÕES DO CONTADOR NA CULTURA POPULAR. RAFAEL TODESCATO CAVALHEIRO, ANDRÉIA MARIA KREMER e RÉGIO MARCIO TOESCA GIMENES, todos da
Universidade Federal da Grande Dourados