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19 março 2026

Custo de Brasília


Qual foi o custo da construção de Brasília? Eis uma estimativa: 

Construir Brasília em um período tão curto foi custoso, embora seja difícil determinar um preço exato, dado que muitas etapas burocráticas foram suprimidas em prol da celeridade, segundo Ronaldo Costa Couto. Mas isso não significa que as pessoas não tenham tentado calcular. O economista Eugênio Gudin calculou que custou aproximadamente 1,5 bilhão de dólares em 1954 — ou cerca de 12,3 por cento do PIB do Brasil — para criar esta capital. Ajustado pela inflação, isso equivale a 16 bilhões de dólares hoje. Outras estimativas são muito maiores. Em 1996, o economista e jornalista Ib Teixeira recalculou o custo, atento ao fato de que a construção em Brasília continuou além da inauguração da cidade em 1960. Ele encontrou um resultado de uma ordem de magnitude diferente: 155 bilhões de dólares na época, ou 316 bilhões de dólares ajustados pela inflação.

Na ausência de condições de moradia adequadas, muitos trabalhadores improvisaram, ocupando ilegalmente áreas fora da cidade e construindo seus abrigos com quaisquer materiais que estivessem disponíveis.

O transporte de materiais de construção foi responsável por grande parte do custo da construção da cidade. Os únicos recursos disponíveis no local eram pedra, areia e tijolos; o restante — como telhas, vergalhões e vidro — teve que ser trazido de outros lugares. No entanto, as rodovias só chegaram ao local em 1960, e a ferrovia mais próxima ia apenas até Anápolis, a cerca de 145 quilômetros de distância. O governo não quis esperar pela conclusão das obras rodoviárias para avançar com a inauguração da cidade, por isso encontrou a solução mais cara possível: o transporte aéreo. Para cobrir essa despesa, a administração Kubitschek começou a imprimir mais dinheiro e a emitir títulos de dívida pública, resultando em um legado de dívidas e inflação que assolou o país nas décadas seguintes.

O custo humano da construção de Brasília também foi alto. Dezenas de milhares de pessoas de outras regiões do país foram enviadas a Brasília para trabalhar. Um censo de 1959 indicou que havia aproximadamente 64.000 pessoas na área, das quais mais de 55.000 vieram de outros lugares e 54,5% eram trabalhadores da construção civil. A maioria desses trabalhadores — conhecidos como candangos — vivia em condições precárias. Os pedreiros dormiam em quartos comunitários sem qualquer privacidade, segundo Gustavo Lins Ribeiro. Eles comiam alimentos estragados que, por vezes, levavam a infecções intestinais.

Alguns não tinham moradia alguma. Na ausência de condições de vida adequadas, muitos trabalhadores improvisaram, ocupando ilegalmente áreas fora da cidade e construindo seus próprios abrigos com quaisquer materiais disponíveis. Um desses assentamentos era chamado de Sacolândia; outro era a Lonalândia. Muitos desses assentamentos perduraram mesmo após a conclusão da construção de Brasília. O maior desses locais era a Vila do IAPI, assim chamada devido ao Hospital do IAPI, em torno do qual se formou, na periferia do canteiro de obras. Em 1971, o governo forçou a evacuação da área e criou Ceilândia, uma cidade inteiramente nova para seus moradores.

Os direitos trabalhistas eram rotineiramente ignorados. A prática da "virada" — exceder os limites de horas extras — era comum. Equipamentos de proteção também eram escassos, e os acidentes de trabalho eram frequentes. Existem poucos registros sobre o número total de mortes e ferimentos durante a construção. Em vez disso, temos informações fragmentadas. Um dos registros disponíveis é do Hospital do IAPI; ele tratou 10.927 acidentes relacionados à construção em 1959, uma média de aproximadamente 30 acidentes por dia. Em 1960, essa média explodiu para 170 acidentes por dia.

Para garantir a segurança pública — e reprimir quaisquer protestos que pudessem surgir em relação às precárias condições de trabalho — o governo destacou a GEB (Guarda Especial de Brasília), forças de segurança pagas pela NOVACAP, para supervisionar a construção. A GEB tornou-se conhecida por sua brutalidade e falta de preparo. Ela participou do chamado Massacre de Pacheco Fernandes, em 8 de fevereiro de 1959, quando trabalhadores da construtora Pacheco Fernandes se revoltaram contra seus chefes devido à comida estragada. Chamada para conter os operários, a GEB usou munição real contra eles. Especialistas concordam com a sequência de eventos até este ponto, mas surgem dúvidas quanto ao número de mortes e ferimentos resultantes da ação. Enquanto a versão oficial afirma 48 feridos e apenas uma morte, testemunhas e sobreviventes dizem que dezenas foram mortos e seus corpos foram levados em caminhões para um local desconhecido.

Equipe e experiência: Ensinamentos de Hollywood


Uma pesquisa usou Hollywood para estudar sucesso e fracasso, através da análise de dados das equipes que participaram dos filmes. A descoberta foi que equipes com membros com histórico de sucesso tendem a produzir filmes lucrativos e equipes com um currículo ruim, produzem filmes menos rentáveis. Fracasso atrai fracasso. 

Uma característica é que equipes de produção são dispensadas após o encerramento das filmagens. Assim, essas equipes não aprendem com o fracasso.  Eis um resumo importante: 

  • Impacto do Sucesso: Cada milhão de dólares adicional de sucesso acumulado no histórico de uma equipe aumenta os lucros do próximo filme em cerca de $126.000. 
  • Impacto do Fracasso: Cada milhão de dólares adicional de fracasso acumulado levou a aproximadamente $448.000 a menos nos lucros.  

Outro ponto importante é que o histórico dos atores e dos diretores não tiveram efeito significativo.  

Muthulingam, S., & Rajaram, K. (2026). The Role of Success and Failure in Fluid Teams: Evidence from the Motion Picture Industry. Management Science. 

Banco Mundial pune PwC na África

O Banco Mundial suspendeu três empresas da rede PwC na África por fraude e conluio. As empresas envolvidas são do Quênia, Ruanda e Maurício, e a punição consiste em um banimento de 21 meses de projetos financiados pelo Banco.


O caso envolveu um projeto energético entre Etiópia e Quênia. As empresas obtiveram informações confidenciais sobre a licitação e as utilizaram para influenciar o resultado. Além disso, deturparam informações sobre especialistas.

As empresas admitiram culpa e firmaram um acordo com o Banco Mundial, comprometendo-se a implementar medidas corretivas. Por isso, a punição foi limitada a 21 meses. Outras instituições devem aplicar sanções semelhantes, como o BID.

 

Internet dos robôs

O gráfico traz muita informação importante sobre a internet dos dias atuais. Em 2018, cerca de 2/3 do tráfego da internet era de humanos e o restante de robôs maliciosos e robôs do bem. A proporão do tráfego oriundo dos seres humanos caiu para 49% em 2024, com crescimento absurdo dos robôs maliciosos. 

Isso tem problema na estatística dos dados e trazem outros distorções mais graves, como o roubo de informações. E como os bots estão mais sofisticados, permitindo reproduzir o comportamento humano, os sistemas tradicionais de segurança não estão conseguindo impedir o avanço. 

18 março 2026

Atenção e Envelopamento


Um artigo da Forbes trata da crescente convergência entre diferentes formatos de mídia nas plataformas digitais. As empresas estão tentando concentrar múltiplos tipos de conteúdo em um único ambiente. Por exemplo, a Spotify está incluindo podcast com vídeo para o usuário. 

Isso é chamado de “envelopamento de plataforma”, onde é usado a análise avançada de dados para compreender os usuários e personalizar conteúdos. A grande conquista é atrair a atenção dos consumidores. 

A estratégia é mais um passo na disputa entre as plataformas pela atenção dos consumidores na televisão — no fim do ano passado, a Netflix ultrapassou o YouTube como plataforma de streaming que mais retém tempo de tela dos usuários, segundo a eMarketer.

Entre os podcasts realocados estão alguns relacionados a esportes, como NFL, F1 e NBA, além de cultura pop e culinária. A vantagem competitiva da Netflix em relação ao YouTube está no fato de que a plataforma não vai veicular anúncios no meio da programação, mesmo para usuários do plano básico. Essa decisão ganha ainda mais força após a notícia de que, agora, o YouTube vai transmitir anúncios de 30 segundos que não poderão ser pulados.

 

Personalizar o empurrão (nudge)


Os nudges comportamentais (ou “empurrões” comportamentais) muito seguem uma lógica de tamanho único. A pesquisa normalmente procura identificar a forma mais impactante de incentivar um determinado comportamento — economizar mais, praticar mais exercícios, vacinar-se — com foco no que poderia funcionar para todos.

Uma pesquisa publicada na revista Organizational Behavior and Human Decision Processes sugere que personalizar os nudges com base no comportamento passado pode ser uma abordagem ainda mais eficaz. Os pesquisadores também encontram evidências de que a riqueza do nudgepor exemplo, um vídeo de dois minutos em vez de uma mensagem de texto breve — pode fazer diferença.

Leia mais aqui 
 
Será possível imaginar o dia em que uma informação contábil será personalizada? Bom, de certa forma isso ocorre, quando o usuário é forte o suficiente para impor sua vontage. O Banco Central faz isso para as instituições financeiras. Mas ele é tão forte e pode ameaçar a entidade com sanções.  

Banksy, identidade e valor de mercado

Recentemente, a Reuters informou que conseguiu identificar quem seria o verdadeiro Banksy. Para quem não conhece o blog, somos fãs das obras desse artista, que pinta murais com temas políticos e sociais em diferentes cidades do mundo.


Até então, ninguém sabia quem era Banksy, embora seu estilo já tivesse se tornado amplamente reconhecido. Segundo a Reuters, o artista seria Robin Gunningham, que utilizaria um pseudônimo bastante comum na língua inglesa em seus documentos. No entanto, Robin ainda não confirmou a informação.

O mais interessante dessa história recente é a reação dos fãs à revelação. Muitos argumentam que o valor das obras pode cair significativamente, já que grande parte do apelo do artista estaria no mistério de sua identidade. Temos aqui uma primeira lição: o valor de uma obra não depende apenas de sua qualidade artística — outros fatores também influenciam o resultado. Louco isso, não?

Um segundo ponto curioso é que o artista produz seus grafites em muros urbanos justamente para evitar a comercialização. Ainda assim, os fãs demonstram preocupação com o valor das obras. Eis mais um mistério.

O quadro acima foi objeto de texto aqui no blog em um leilão da sua obra. Aqui um texto sobre marca e o artista. Aqui sobre o valor de uma obra de arte.