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13 junho 2026

Sobre os reportes de sustentabilidade voluntários

Eis a notícia

Uma coalizão formada por entidades da contabilidade, academia, auditoria, governança corporativa, mercado de capitais e investidores encaminhou uma carta conjunta à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pedindo a revisão da decisão que tornou voluntários os reportes de sustentabilidade das companhias abertas. Na avaliação das instituições, a mudança pode comprometer a comparabilidade das informações corporativas, reduzir a transparência para investidores e enfraquecer a convergência do Brasil aos padrões internacionais.

O posicionamento foi motivado pela edição da Resolução CVM nº 244, publicada em 29 de maio de 2026. A norma alterou a Resolução CVM nº 193 e transformou em facultativa uma divulgação que passaria a ser obrigatória para as companhias abertas a partir dos exercícios sociais iniciados em 1º de janeiro deste ano.


Realmente ainda não tenho uma posição fechada sobre o tema. Há vários aspectos em jogo. Recentemente, Otto Lobo foi confirmado na presidência da CVM, e alguns comentários que li mencionaram uma possível proximidade com a JBS, empresa que teria interesse direto na norma. Sem afirmar causalidade, é difícil afastar a hipótese de que a Resolução também possa refletir pressões de empresas que seriam afetadas pela obrigatoriedade. Nesse sentido, há um componente político — no sentido da atuação de grupos de interesse — que não deveria ser ignorado na análise da decisão do regulador.

Olhando fatos recentes, vimos diversas normas cuja relação custo-benefício segue controversa serem aprovadas e, mesmo depois da constatação de dificuldades práticas, o emissor permanecer estático, imóvel, sem tomar providências claras no sentido de reduzir os custos para as empresas. Cito aqui a norma da receita, do arrendamento e outras. Ou seja, o movimento de aprovar uma norma parece exigir menos esforço do regulador do que o reconhecimento posterior dos excessos ou dos erros.

Os argumentos usados na nota parecem, em alguns pontos, frágeis. Afirmar que a mudança pode comprometer a comparabilidade pode ser estranho se estivermos falando da comparação temporal: afinal, a norma estaria em vigor apenas a partir deste ano. Mas, se a comparabilidade for geográfica, o argumento também não é plenamente convincente, já que o número de jurisdições que adotaram as normas ainda é pequeno e notamos, em alguns países importantes, um recuo na normatização sobre a questão ambiental.

A discussão sobre a transparência para investidores pareceu interessante pelo fato de algumas entidades representativas dos investidores assinarem a nota. Mas também entendo o argumento contrário: talvez os investidores hoje não leiam essas informações com atenção, talvez o custo de implementação não tenha sido adequadamente verificado, talvez não tenha sido realizado um teste inicial de adoção, entre outros aspectos. Acho que informar pode ser um importante condutor e impulsionador para resolver alguns dos problemas climáticos do mundo, mas acredito que a principal força para enfrentar esse problema será o desenvolvimento tecnológico, como a substituição da energia gerada pelo carvão pela energia solar. Uma revisão histórica poderia ser importante para reforçar esse argumento.

Aqui também é importante listar um contra-argumento no mesmo sentido da nota: só teremos condições de saber se a norma será importante se ela for adotada. Como o assunto é relevante para a sociedade, por que não tentar? Os efeitos negativos da não adoção talvez sejam piores do que os efeitos negativos da adoção, e talvez fosse necessário discutir melhor essa comparação.

Sendo uma nota de entidades, e portanto também uma nota de posicionamento institucional, senti falta de evidências. Talvez seja um cacoete acadêmico, mas o texto me parece carregar muito efeito esperado e pouca demonstração. Há bons argumentos conceituais, especialmente sobre comparabilidade, simetria informacional e conexão com as demonstrações financeiras. Mas há pouca evidência sobre custos de implementação, grau de adesão esperada, demanda efetiva dos investidores e impacto da voluntariedade na qualidade da informação. Tudo bem que é um posicionamento de entidades, mas preocupa o fato de que parte relevante dos signatários está ligada à infraestrutura de preparação, asseguração ou uso profissional dessas informações. O texto provavelmente não passaria como um texto mais acadêmico — e talvez essa frase confirme o que escrevi no início do parágrafo: pode ser um cacoete meu. Não posso, no entanto, deixar de expressar que sinto falta de evidências.

Citar empresas que já fizeram a adesão voluntária talvez não seja suficiente para reforçar o aspecto empírico. As empresas citadas não são empresas típicas e, muitas vezes, carregam seus próprios interesses em fazer a adesão voluntária. A Vale, uma das citadas, foi responsável por dois desastres ambientais e está sob escrutínio público há muitos anos. Se o documento tivesse feito uma rápida pesquisa com um número mais expressivo de empresas, perguntando quantas iriam divulgar mesmo com a norma sendo opcional, talvez tivesse mais força do que os argumentos apresentados.

Talvez a manifestação seja também uma tentativa de argumentar e colocar na mesa de negociação uma posição um pouco mais branda para a CVM: obrigatoriedade para um número menor de empresas, por exemplo, adiamento do início da norma, cronograma escalonado ou foco em alguns setores mais expostos a riscos climáticos e ambientais. 

Minha opinião é fruto de crenças pessoais. 

12 junho 2026

Crime é a preocupação nacional

 

Uma pesquisa internacional revelou a principal preocupação entre diferentes países. No Brasil, a principal preocupação é com a criminalidade. 

Data Center pelo mundo

 

Talvez os números já estejam defasados nesse momento. 



Erro editorial


Do Iasplus:

A Fundação IFRS publicou um segundo conjunto de correções editoriais para 2026.

O segundo conjunto de correções diz respeito a um erro ortográfico na IFRS S1 (embora seja um erro importante, pois substitui "selling" por "settling").

Por definição, as correções editoriais não alteram o significado ou a aplicação das declarações, mas sim corrigem erros inadvertidos.

O segundo conjunto de correções pode ser acessado na página de correções editoriais do site da Fundação IFRS.

Se confiamos nos reguladores, a prática de correção dos erros editoriais são aceitáveis. Evita ter um complexo processo para aprovar novamente um texto. Mas deve ter casos interessantes nessas situações que muitas vezes não são narrados. 

Nunca vi ninguém fazendo uma pesquisa sobre esse assunto. Será que não é interessante o suficiente? Imagem aqui

Uso de LLM e redução de atividade cerebral

Existe um crescente corpo de trabalho sobre os efeitos de grandes modelos de linguagem no cérebro, desde a redução da carga cognitiva até medidas diretas da atividade cerebral . Embora todo esse trabalho seja interessante, o último é impressionante, com a eletroencefalografia (EEG) sendo usada para avaliar a carga cognitiva durante a escrita de uma redação.

O resultado? O EEG mostra que o uso do LLM reduz a conectividade cerebral, o engajamento na tarefa, a recuperação da memória e a apropriação em comparação com a busca e o esforço sem auxílio. E os efeitos persistiram mesmo após o término da tarefa.

No gráfico a seguir, contextualizo a redução da atividade cognitiva, comparando-a ao que se observa quando as pessoas consomem álcool em excesso. Em termos gerais, o ChatGPT suprimiu a atividade cerebral em um nível equivalente ao dobro do limite legal.


Fonte aqui

Uso de IA em pesquisas

 Alguns trechos do resumo:

(...) O volume de submissões [para o periódico Organization Science] aumentou 42% desde o lançamento do ChatGPT no final de 2022, enquanto a qualidade da escrita diminuiu. O aumento na produção de textos gerados por IA explica quase todas essas tendências. A produção de textos gerados por IA em revisões também aumentou e é caracterizada por menor qualidade e menor diversidade temática do que a produção de textos escritos por humanos. Até onde sabemos, somos o primeiro periódico a relatar esses impactos iniciais da IA ​​no processo de revisão. Conversas com editores de diversas disciplinas científicas, no entanto, sugerem que o que observamos não se limita ao nosso periódico ou às ciências sociais. Nesta fase inicial de adoção da IA, não podemos fazer uma avaliação normativa sobre os níveis apropriados ou ideais de uso da IA. Podemos, contudo, concluir que o estado atual das ferramentas de IA, amplificado pelos incentivos existentes de "publique ou pereça", parece estar impulsionando o sistema em direção a um equilíbrio de mais pesquisas, em vez de pesquisas melhores. Para atingir um equilíbrio em que a IA sirva como um motor fundamental da inovação, será necessário que nossas instituições e as estruturas de incentivo que elas criam se adaptem.


Rir é o melhor remédio

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Excel foi inventado em 1985 e pessoas antes de 1985.
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