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16 fevereiro 2026

Celular é um vício para os idosos

Ouço muito dizer que os jovens de hoje são menos esforçados e não querem nada com o trabalho sério e árduo. Logo em seguida, mencionam o celular — dizem que eles só querem ficar no aparelho. Mas parece que pesquisas recentes mostram que algo novo está ocorrendo: os 'viciados' em celular não são os mais jovens, mas sim os mais velhos.


Tudo bem que o 'tempo de tela' é uma métrica questionável. Quando coloco o temporizador no relógio, o relatório semanal acusa que usei a tela naqueles minutos, quando, na verdade, era apenas um alerta para interromper uma tarefa. Além disso, os dados são específicos de apenas um país. No entanto, a evolução do uso de celular mostra que as pessoas estão usando o aparelho cada vez mais.

O que surpreende é que adultos com mais de 36 anos usam mais o dispositivo do que jovens entre 17 e 25 anos. A diferença de tempo médio é pequena, mas o resultado não deixa de ser uma surpresa. O que explica esses dados? Primeiro, há um esforço dos jovens para se desconectarem. Eles realizam atividades onde o celular é proibido, como em certas aulas, ou onde o uso é menos frequente, como em baladas. Já os mais velhos adotaram de vez a tecnologia, que hoje é muito mais amigável para quem não nasceu no mundo conectado.

Professores universitários e a lista de Epstein


Um texto do Inside Higher Education chama a atenção para professores que tiveram ligação com Jeffrey Epstein. Tais professores geralmente atuavam em universidades de ponta e eram conhecidos por sua influência no campo de pesquisa. A divulgação dos arquivos de Epstein comprova que os nomes são realmente influentes.

A consequência é que alguns deles foram afastados da sala de aula ou tiveram centros de pesquisa fechados. Alguns renunciaram a seus postos; outros estão sendo investigados. Eventos foram cancelados e apurações estão sendo realizadas.

Apesar de alguns alegarem contatos apenas acadêmicos ou filantrópicos, a associação com o criminoso gerou pressão institucional em razão desse vínculo indevido. O texto cita vários professores, incluindo, por exemplo, Gelernter (foto), professor de computação em Yale, que correspondeu com Epstein entre 2009 e 2015. Os documentos mencionam visitas e mulheres, sendo que Gelernter recomendou uma aluna para uma posição, ressaltando que era uma loura bonita.

Outro, Mark Tramo, da UCLA, na área de neurologia, chegou a receber dinheiro de Epstein. Com as revelações, Tramo afirmou que não tinha ideia de que Epstein era um pervertido. Contudo, há mensagens que mostram que ele sabia da condenação de Epstein em 2007.

Outros nomes que estão na lista: Dan Ariely, Edward Boyden, Noam Chomsky, George Church, Richard Dawkins, Stephen Hawking, Jack Horner, Stephen Kosslyn, Martin Nowak, Steven Pinker, Lisa Randall, Larry Summers, Corina Tarnita, Robert Trivers e Nathan Wolfe. 

Ingresso para o Louvre


A notícia que li na newsletter 1440 (fonte AP) comenta mais um problema com o Museu do Louvre. O mais prestigiado museu do mundo, depois de passar pelo roubo de uma coleção valiosa no final do ano passado, descobriu uma fraude de 11,8 milhões de dólares. A polícia francesa prendeu nove pessoas, incluindo dois funcionários do museu e guias turísticos.

O interessante de uma notícia como essa é notar as falhas de controle de uma organização. No caso do museu, ingressos estavam sendo reutilizados por guias chineses, e os funcionários participavam do esquema evitando a verificação dos bilhetes. A estimativa da investigação é de que até 20 grupos de turismo por dia tenham passado pelo esquema nos últimos dez anos, totalizando cerca de 72 mil grupos.

A suspeita existe desde o final de 2024, mas somente agora o caso foi oficialmente apresentado, após a polícia usar escutas para embasar o inquérito. Há suspeitas de que um caso semelhante possa ter ocorrido no Palácio de Versalhes. Vejam que impressionante: bastam dois funcionários para viabilizar uma fraude de 11,8 milhões.

12 fevereiro 2026

Quando a experiência em contabilidade importa

O resumo 

Documentamos que empresas detidas por gestores de fundos mútuos com experiência prévia em contabilidade pública apresentam relatórios financeiros de maior qualidade, evidenciada por uma menor probabilidade de reapresentações (retificações) de demonstrações financeiras. Evidências adicionais mostram que gestores com experiência em contabilidade pública têm maior probabilidade de realizar visitas às empresas de seu portfólio e de discutir temas relacionados a políticas contábeis durante essas visitas. Além disso, a probabilidade de reapresentações diminui após as visitas dos gestores, especialmente quando levantam questões ligadas a políticas contábeis. Em resultados transversais consistentes com as expectativas, constatamos que o papel da experiência em contabilidade pública é ampliado quando a empresa enfrenta problemas de agência mais severos, maior assimetria informacional, quando os gestores são mais avessos ao risco, possuem experiência prévia em grandes firmas de auditoria, detêm maior participação acionária na empresa ou quando há coordenação entre fundos mútuos. Em conjunto, as evidências sugerem que gestores com experiência em contabilidade pública impõem monitoramento externo mais rigoroso sobre as escolhas de reporte financeiro das empresas investidas.

Aumento do Bem-estar entre tabalhadores e o papel da Idade

O resumo:  

Examinamos como o bem-estar de trabalhadores e não trabalhadores varia por idade em 171 países em oito pesquisas internacionais. Em 103 países (60%), encontramos evidências de que o bem-estar dos trabalhadores aumenta com a idade e o mal-estar dos trabalhadores diminui com a idade. Esta relação parece ter se fortalecido ao longo do tempo em alguns países. Padrões são diferentes entre não trabalhadores e são sensíveis ao modo da pesquisa. Onde as pesquisas são conduzidas usando Entrevistas Web Assistidas por Computador (CAWI), o bem-estar dos não trabalhadores tem formato de U, mas isso é menos claro quando os dados são coletados com Entrevistas Telefônicas Assistidas por Computador (CATI). A mudança no perfil de idade do bem-estar dos trabalhadores pode refletir mudanças na seleção para dentro (ou fora) do emprego por idade, mudanças na qualidade do trabalho, ou mudanças na orientação de jovens trabalhadores para trabalhos semelhantes ao longo do tempo. Mas mudanças no uso de smartphones — frequentemente o foco do debate a respeito do declínio do bem-estar dos jovens — são improváveis de serem o principal culpado, a menos que existam diferenças consideráveis no uso de smartphones entre trabalhadores jovens e não trabalhadores, o que parece improvável.

Risco Brasil, segundo Damodaran

 O grande nome do Valuation, Damodaran, publicou uma atualização da sua base de dados. O prêmio pelo risco do Brasil seria 7,47%, enquanto o CDS seria 2,35%


 Mais sobre o tema, vide aqui

Mais tecnologia, melhor educação?


Uma pesquisa de longo prazo no Peru concluiu que a resposta da questão do título é não. Estudantes receberam um laptop e foram acompanhadas por dez anos. O resultado foi que não existe melhoria significativa no desempenho acadêmico, nem progresso ao longo do tempo. 

Para entender por que o programa OLPC não conseguiu melhorar os resultados educacionais, analisamos dados de pesquisas que coletamos em 2013 em um subconjunto de 140 escolas. Verificamos que os docentes das escolas tratadas tinham 35 pontos percentuais a mais de probabilidade de relatar ter recebido capacitação no uso dos computadores XO do que os docentes das escolas de controle. No entanto, não observamos melhorias em suas habilidades digitais para usar computadores XO, computadores pessoais ou internet, nem um aumento substancial no uso de computadores em sala de aula para fins pedagógicos.

No caso dos estudantes, o programa aumentou em 20 pontos percentuais o uso de computadores XO em casa no dia anterior à pesquisa. Em linha com isso, encontramos efeitos positivos relevantes (0,4 desvios-padrão) nas habilidades digitais dos estudantes para utilizar esses computadores. Contudo, não identificamos efeitos sobre um índice de habilidades cognitivas que combina o teste das Matrizes Progressivas de Raven, provas de fluência verbal e testes de codificação. Esses resultados sugerem que, embora o programa tenha melhorado habilidades digitais específicas, teve efeitos limitados sobre outros resultados intermediários relevantes para a aprendizagem.